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Em meio a grave crise de governo, premiê do Canadá reconhece erros 

Escândalo provocou a renúncia de duas ministras e pedidos da oposição para que Justin Trudeau renuncie por tentar interferir em um caso criminal

Internacional|Da EFE

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Premiê canadense concedeu uma entrevista coletiva
Premiê canadense concedeu uma entrevista coletiva

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, voltou a afirmar nesta quinta-feira (7) que não exerceu pressão sobre a ex-ministra de Justiça Jody Wilson-Raybould, mas reconheceu pela primeira vez que cometeu erros no conflito que abriu a crise mais grave de seu governo.

O premiê canadense concedeu uma entrevista coletiva em Ottawa no começo da manhã para explicar o escândalo que provocou a renúncia de duas ministras e pedidos da oposição para que ele renuncie por tentar interferir em um caso criminal.

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Trudeau não se desculpou pelas ações tomadas por ele ou pelos demais integrantes do governo ao longo da crise, mas afirmou que houve uma "erosão da confiança" com a então ministra de Justiça.

Wilson-Raybould renunciou no início de fevereiro ao cargo. Mais tarde, disse que Trudeau e seus principais assessores a pressionaram durante meses para que oferecesse à SNC-Lavalin, a maior construtora do país, um acordo favorável em um caso de corrupção.

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A denúncia de Wilson-Raybould provocou a renúncia de outro nome de peso do governo de Trudeau, a ministra do Tesouro, Jane Philpott, transformando a crise na mais grave enfrentada pelo primeiro-ministro desde que chegou ao poder em outubro de 2015.

Trudeau reafirmou hoje que se reuniu com Wilson-Raybould em setembro de 2018 para falar sobre o caso da SNC-Lavalin, uma empresa com base na província de Québec e que emprega 9 mil pessoas.

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O premiê reconheceu que, durante a reunião, confirmando o que a ex-ministra de Justiça já tinha declarado, que a lembrou que ele é deputado por Québec. Wilson-Raybould entendeu a mensagem como uma "pressão velada" por interesses eleitorais.

Mas Trudeau justificou hoje os comentários que fez a ex-ministra, alegando que é obrigação de todo parlamentar defender os cidadãos representados por eles. E afirmou que seu dever como primeiro-ministro é proteger postos de trabalho no país.

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Após essa reunião, Trudeau disse que pediu aos colaboradores que seguissem em contato com a ex-ministra sobre o caso da construtora.

"Deveria ter feito isso pessoalmente", reconheceu Trudeau.

Para o primeiro-ministro, o problema era de "importância nacional" pelo peso econômico da SNC-Lavalin no país.

Mas, quando perguntado se a entrevista de hoje era um pedido de desculpas pelas ações tomadas ao longo da crise, Trudeau respondeu que não. Para ele, o escândalo foi provocado por uma ruptura de confiança que começou em um mal entendido.

"Wilson-Raybould não se dirigiu a mim pessoalmente e gostaria que ela tivesse feito. O diálogo é crucial em uma pasta como a da Justiça", disse Trudeau, citando o governo de seu pai, o ex-primeiro-ministro Pierre Trudeau (1980-1984), que antes de comandar o Canadá foi ministro de Justiça.

Para evitar problemas similares no futuro, Trudeau afirmou que vai avaliar se é conveniente separar os cargos de ministro de Justiça e procurador-geral do Estado, atualmente unidos, fato apontado por alguns analistas como a origem da crise.

"Vamos solicitar assessoria externa", concluiu Trudeau.

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