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Em meio a incertezas políticas, greve paralisa Tunísia

Internacional|Do R7

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O principal sindicato da Tunísia convocou uma greve geral para esta sexta-feira, em uma decisão anunciada depois que islamitas membros do governo rejeitaram, nesta quinta, a formação de um governo tecnocrata proposta pelo primeiro-ministro.

O movimento grevista marca uma escalada da crise desencadeada pelo assassinato de um opositor.

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O impasse sobre a formação de um novo gabinete foi causado pela rejeição dos islamitas do partido Ennahda à proposta do primeiro-ministro -- e número dois do partido -- Hamadi Jebali.

Nesta quinta-feira, o chefe do governo não se pronunciou e a Presidência reconheceu não ter maiores informações após o anúncio da última quarta-feira a respeito da formação do novo governo.

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"O presidente não recebeu pedido de demissão do primeiro-ministro, nem detalhes sobre um gabinete formado apenas por tecnocratas", disse o porta-voz da presidência, Adnene Manser.

"Qualquer mudança no poder deve acontecer dentro dos limites da legalidade representada pela Assembleia Nacional Constituinte (ANC)", lembrou Manser.

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Qualquer novo governo deve ser aprovado pela Assembleia, onde o Ennahda controla 89 dos 217 assentos. Os islamistas são aliados de dois partidos de centro-esquerda, dentre eles o Congresso para a República, do presidente Moncef Marzouki.

O dia também foi marcado por novos conflitos entre algumas centenas de manifestantes e policiais em Túnis, Gafsa (centro), Siliana (nordeste) e Sfax (leste). Esses episódios de violência foram, contudo, menos graves do que os de quarta-feira, quando um policial foi morto durante confrontos que reuniram cerca de 4.000 manifestantes em Túnis.

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Nesta sexta a tensão deve permanecer alta com o funeral do opositor Chokri Belaid no sul da capital e com a convocação de greve geral pela poderosa central sindical UGTT -- que conta com 500.00 membros.

A última paralisação nacional aconteceu em 14 de janeiro de 2011 e durou duas horas. Ela fez parte do movimento que causou a queda do regime de Abidine Ben Ali, que fugiu para a Arábia Saudita no mesmo dia.

A greve ocorre num contexto econômico e social difícil, com a multiplicação de manifestações contra o desemprego e a miséria, regularmente reprimidas. A falta de perspectiva de grande parte da população foi o elemento crucial para a revolução de 2011, o movimento que iniciou a Primavera Árabe.

A Presidência e o Ministério do Interior pediram que os tunisianos se manifestem com calma nesta sexta-feira.

O anúncio da criação de um novo governo foi saudado pela sociedade civil e pela oposição como um instrumento essencial para apaziguar a crise provocada pelo assassinato de Belaid.

Sinal do temor de que a situação se agrave ainda mais, a Liga Tunisiana de Direitos Humanos (LTDH) pediu, nesta quinta-feira, que as autoridades protejam as personalidades políticas ameaçadas. A central sindical anunciou que seu secretário-geral, Houcine Abbasi, havia recebido ameaças de morte anônimas por telefone durante a quinta-feira.

Frente aos riscos de instabilidade, a embaixada da França pediu que os 25.000 franceses residentes no país tenham prudência. A representação diplomática também anunciou a suspensão das aulas nas escolas francesas (mais de 7.000 alunos) nesta sexta-feira e sábado.

O Ministério do Ensino Superior da Tunísia também anunciou a suspensão das aulas nas universidades de sexta a segunda-feira.

Os advogados e magistrados entraram em greve a partir desta quinta-feira para denunciar o assassinato de Chokri Belaïd, advogado defensor dos direitos humanos. Em Túnis, as salas de audiência do principal tribunal estavam vazias.

Parte da oposição e a família de Belaid acusam o partido islamista Ennahda de ser o resposnsável pela morte, o primeiro assassinato político após a revolução de 2011. Nenhum avanço nas investigações do caso foi anunciado nesta quinta-feira.

O Ennahda refutou as acusações sob o argumento de que uma milícia pró-islamita é regularmente acusada de atacar opositores ao atual grupo político no poder.

Ao mesmo tempo, certos opositores pediram a dissolução da Assembleia Nacional Constituinte (ANC). Eleita há 15 meses, a câmara não consegue redigir a Constituição por falta de um compromisso no qual dois terços dos deputados possam entrar em acordo.

A onda de violência política e social se intensificou nos últimos meses frente ao desencanto com as promessas da revolução de 2011. A Tunísia também é desestabilizada pelo rápido desenvolvimento de pequenos grupos jihadistas.

bur-alf/Bsh/fc/mm/dm

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