Especialistas descartam uso de explosivos militares em atentado de Boston
O mais provável é que um artefato caseiro tenha causado as explosões, afirmam analistas
Internacional|Do R7, com agências internacionais

Os explosivos usados nos ataques na Maratona de Boston foram, provavelmente, artefatos artesanais feitos com fragmentos de pregos e de metal, com o objetivo de causar o maior dano possível, de acordo com informações preliminares das autoridades.
Um dia depois do ataque que deixou três mortos e mais de 170 feridos, o FBI e a polícia de Boston se negaram a revelar detalhes da investigação em curso e se as explosões estariam relacionadas a extremistas estrangeiros, ou americanos.
Uma equipe de cerca de 30 especialistas em bomba e cães farejadores vasculhou a área — a linha de chegada da famosa maratona —, enquanto as autoridades pediam à população que entrasse em contato, caso tivesse alguma informação importante.
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"Vai levar muitos dias para processar este cenário", comentou Gene Marquez, agente especial encarregado do Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos em Boston.
A polícia informou que a área foi varrida duas vezes antes da maratona e nenhum explosivo foi encontrado.
Fumaça de bomba caseira
O alcance relativamente pequeno das duas explosões e a fumaça branca que subiu depois da deflagração parecem eliminar explosivos plásticos do tipo militar, como C-4 ou Semtex. De acordo com especialistas, esse tipo de artefato tende a produzir detonações mais poderosas com fumaça preta.
A rede CNN divulgou que as duas bombas de Boston podem ter sido feitas com "panelas de pressão" e, provavelmente, "timers" teriam sido empregados.
Matérias na imprensa americana, que citam investigadores anônimos, têm se concentrado em artefatos improvisados, possivelmente uma bomba-tubo, ou um explosivo de peróxido de acetona — ambos relativamente fáceis de preparar e de esconder.
Um explosivo de acetona, ou TATP (triperóxido de triacetona), foi usado no atentado em Londres em 2007, em um ataque cometido nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, e na tentativa fracassada do "Shoe Bomber" Richard Reid, em dezembro de 2001, de detonar um artefato em um voo com destino a Miami.
O peróxido orgânico é altamente instável e sensível ao calor e à fricção, com os próprios homens-bomba se ferindo durante a preparação do artefato.
Manuais sobre como fazer bombas, disponíveis em fóruns jihadistas online, incluindo um aberto pelo braço da rede Al Qaeda no Iêmen, sugerem com frequência o uso de panelas de pressão, de acordo com o Site Intelligence Group, que monitora mensagens online de grupos extremistas.
Em 2010, a primeira edição em inglês de uma revista da Al Qaeda na Península Arábica (AQAP), braço iemenita da rede, incluía um artigo explicando como fazer um explosivo com uma panela de pressão e estilhaços. O artigo, intitulado "Faça uma bomba na cozinha da sua mãe", era acompanhado da foto de uma mochila escondendo o explosivo.
De acordo com o Site, grupos de supremacia branca nos Estados Unidos tomaram conhecimento do artigo e, em um dos fóruns online, o "Stormfront", o manual é citado como uma "leitura altamente recomendada".
Pregos e amputações
Apesar das dúvidas sobre o tipo de bomba, está cada vez mais claro que o artefato era formado por pedaços de metal.
As equipes de resgate e os médicos que trataram das vítimas relataram que as bombas parecem ter dispersado fragmentos de pregos e de metal, causando ferimentos, sobretudo, na parte inferior do corpo, o que incluiu vários casos de amputação.
"Há uma variedade de objetos pontiagudos que nós encontramos nos corpos", disse o chefe do Departamento de Cirurgia do Trauma do Hospital Geral de Massachusetts, George Velmahos.
— Provavelmente, essas bombas tinham múltiplos fragmentos metálicos nelas. Removemos pregos e estilhaços. Os artefatos foram colocados, provavelmente, no chão e, desse modo, ferimentos nas extremidades inferiores são esperados.
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