EUA anunciam fim de nova ofensiva contra o Irã, que volta a atacar alvos no Kuwait e Bahrein
Forças Armadas da Jordânia também informaram que abateram quatro mísseis vindos do território iraniano
Internacional|Do R7, com Estadão Conteúdo e Reuters
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Uma base aérea dos Estados Unidos na Jordânia foi alvo de mísseis balísticos iranianos nesta terça-feira (14), informou a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, ao mesmo tempo em que exortou os jordanianos a desmantelarem as bases americanas no reino.
“Vocês sabem muito bem que não só não temos nenhuma inimizade com o seu país, como também amamos vocês, povo nobre, que compreende a dor e a opressão do povo palestino mais do que qualquer outra nação”, afirmou a Guarda em comunicado divulgado pela agência de notícias Fars.
As Forças Armadas da Jordânia informaram nesta terça-feira que interceptaram e abateram quatro mísseis que entraram no espaço aéreo jordaniano vindos do território iraniano, segundo a agência de notícias estatal.
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Novo ataque americano
As forças americanas concluíram sua mais recente onda de ataques ao Irã, que o Comando Central dos EUA lançou no início do dia sob orientação do presidente Donald Trump.
As cinco horas de ataques dos EUA marcaram a terceira noite consecutiva de ataques contra o Irã, enquanto Trump restabeleceu um bloqueio à navegação iraniana e propôs cobrar uma taxa de 20% para proteger o estreito de Ormuz.
A mídia iraniana noticiou ataques a várias cidades e informou que quatro pessoas ficaram feridas e que operações de resgate estavam em andamento.
Paralelamente, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou, em mensagens via Telegram, que lançou ataques contra a base de Arik, no Kuwait, e ao menos outras três instalações americanas no Bahrein, o que fez com que as sirenes de alerta do país fossem acionadas.
“Uma coluna de fumaça foi vista após mísseis iranianos atingirem com sucesso a base dos EUA em Manama, capital do Bahrein”, afirmou a Guarda Revolucionária.
Trump havia dito anteriormente ao programa “Hugh Hewitt Show”, na segunda-feira (13), que o Irã seria atingido “muito duramente esta noite, e vamos atacá-los com força amanhã. E não há absolutamente nada que eles possam fazer a respeito”.
Escalada de hostilidades
As últimas hostilidades ocorrem depois que o Irã anunciou, no fim de semana, que estava fechando o estreito de Ormuz, lançando mais dúvidas sobre um acordo provisório para interromper a guerra e elevando os preços do petróleo.
“O Estreito de Ormuz está ABERTO e permanecerá ABERTO, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo O BLOQUEIO IRANIANO”, havia dito Trump na segunda-feira no Truth Social.
“Os EUA serão, a partir de agora, conhecidos como ‘O GUARDIÃO DO ESTREITO DE HORMUZ’, mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados à alíquota de 20% sobre toda a carga transportada.”
Irã nega controle dos EUA
O alto comando militar conjunto do Irã afirmou que os EUA não tinham papel algum na determinação do futuro da via navegável.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, escreveu no X que Teerã era a guardiã do estreito e continuaria sendo “para sempre”, acrescentando em resposta a Trump: “20% é, obviamente, demais. Seremos justos.”
Antes do início do conflito, em fevereiro, cerca de um quinto do tráfego mundial de petróleo e gás passava diariamente pelo estreito de Ormuz, levando mais de 15 milhões de barris de combustível aos mercados globais, no valor de pelo menos US$ 1,2 bilhão (aproximadamente R$ 6,1 bilhões, na cotação atual).
Se os EUA impusessem uma taxa de 20%, isso poderia gerar cerca de US$ 240 milhões (aproximadamente R$ 1,2 bilhão, na cotação atual) por dia.
A agência de navegação da ONU rejeitou a proposta de Trump, afirmando que se opõe a quaisquer taxas para estreitos utilizados na navegação internacional e ressaltando que não há base legal para a introdução de pedágios obrigatórios sobre o tráfego no estreito.
Os preços do petróleo subiam quase 3% nesta terça-feira, atingindo o maior nível em quatro semanas, à medida que os EUA restabeleceram seu bloqueio naval ao Irã e os ataques no estreito de Ormuz aumentaram a incerteza sobre os fluxos de energia.
Emirados Árabes acusa Irã de lançar mísseis
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou na segunda-feira que mísseis de cruzeiro iranianos atingiram dois petroleiros dos Emirados enquanto transitavam pela faixa sul do estreito, em águas territoriais de Omã.
A agência britânica de Operações de Comércio Marítimo (UKMTO na sigla em inglês) informou que um petroleiro foi atingido por um projétil desconhecido enquanto navegava a 40 milhas náuticas a nordeste de Qalhat, em Omã.
A Reuters não conseguiu verificar imediatamente se o relatório da UKMTO se referia ao mesmo incidente relatado pelo Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos.
A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que dois superpetroleiros “infratores” foram atingidos e ficaram inoperantes no estreito após ignorarem repetidas advertências e desligarem seus sistemas de navegação, segundo a mídia iraniana.
O comunicado da Guarda não identificou as embarcações nem informou se eram os mesmos petroleiros citados pelo ministério dos Emirados Árabes Unidos.
No entanto, acusou os EUA de “incitar embarcações a utilizar uma rota ilegal” e alertou que a cooperação com o “inimigo agressor” resultaria em danos, atrasos na reabertura da via navegável e uma crise energética global.
O Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos EUA, informou que um bloqueio ao Irã entraria em vigor nesta terça-feira e se aplicaria a todo o tráfego de embarcações, independentemente da bandeira, abrangendo todo o litoral iraniano, incluindo portos e terminais de petróleo.
O centro afirmou que a medida não impediria a passagem neutra pelo estreito com destino a ou proveniente de locais fora do Irã, e que remessas humanitárias seriam permitidas, sujeitas a inspeção.
Os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, e o Irã respondeu com seus próprios ataques contra Israel e os países do Golfo que abrigam bases americanas.
Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã e os ataques israelenses ao Líbano durante a guerra mataram milhares de pessoas e deslocaram milhões.
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