Análise: exigências de ambos os lados bloqueiam sucesso das negociações para liberar Ormuz
‘Esse acordo só vai sair depois que os americanos tiverem certeza de que os iranianos vão cumpri-lo’, afirma especialista
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Um acordo elaborado por Irã e Omã traz uma solução ao bloqueio do estreito de Ormuz ao dividir o controle do canal entre as duas nações. A entrada de navios seria por águas iranianas e a saída pela costa de Omã. Ambos estão de acordo com o projeto, mas os Estados Unidos ainda não demonstraram apoio ao tratado. Sem eles, o plano não funciona.
O projeto depende da suspensão do bloqueio militar norte-americano aos portos do Irã e da retirada das sanções impostas ao petróleo do país, além da cobrança de uma taxa de 5 a 7% da carga transportada. São tais exigências que impedem o acordo de ser executado, alegou o especialista em segurança e estratégia Ricardo Cabral, durante o Conexão Record News desta sexta (7).

Mesmo que os EUA estivessem aptos a aceitar algumas das concessões, Cabral acredita que a mesma história que já foi vista ao longo das negociações ocorra novamente: “Os americanos assinam, os iranianos assinam. Dez minutos depois, um comandante da Guarda Revolucionária que não concorda [...] vai lá, lança um míssil e ataca um mercante qualquer”.
Em vista das dificuldades, o especialista entende que: “Esse acordo só vai sair depois que os americanos tiverem certeza de que os iranianos vão cumpri-lo”. Além desse fator, os EUA ainda exigem que o Irã permita a saída dos navios presos em Ormuz. Para Cabral, atender o pedido é o que daria um fim ao bloqueio norte-americano. “Sem nenhuma outra concessão que não fosse essa”.
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A demora por um acordo que seja justo para ambos os lados tem esgotado o arsenal dos EUA ao mesmo tempo que drena as reservas de petróleo pelo mundo. Duas crises cujas soluções ainda devem demorar, segundo o especialista. “Mesmo se a guerra acabasse agora, [...] a tendência não é a coisa melhorar, pelo menos ali no curto prazo”.
Não bastassem os desencontros em torno dos interesses de cada lado, Cabral aponta que a imprevisibilidade dos líderes atuais envolvidos nas negociações acaba por prolongar os efeitos mencionados anteriormente. “A gente não sabe se daqui a 10 minutos os iranianos vão mudar de ideia ou o próprio presidente Trump, que também já atrapalhou muito o acordo”.
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