Ex-assessores devem ser condenados em caso de ligação ao tráfico, diz Santos
Internacional|Do R7
Bogotá, 8 mai (EFE).- O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou nesta quinta-feira que, se tiverem recebido dinheiro dos narcotraficantes para promover um processo de desmobilização, que não chegou a ocorrer, seus ex-assessores de campanha e governo J.J. Rendón e Germán Chica devem ser submetidos à Justiça. Assim respondeu o líder em uma entrevista à emissora "W Rádio" sobre as versões de imprensa que asseguram que o venezuelano Rendón e Chica receberam até US$ 12 mil em 2011 dos cartéis Los Rastrojos e Oficina de Envigado, uma acusação que eles negaram. "Ambos disseram que não receberam um só peso", afirmou Santos ao reconhecer que "não é fácil 'derrubar' (ou burlar) uma quantia dessa natureza da máfia". Santos acrescentou que, "se chegaram a receber um só centavo, serão submetidos à Justiça e, se possível, condenados". "Não tenho nenhum tipo de contemplação com nenhum corrupto ou pessoa que esteja na ilegalidade", completou. Este escândalo, que veio à tona há duas semanas das eleições presidenciais do 25 de maio, trouxe consigo a renúncia de Rendón como estrategista de propaganda da campanha de Santos e a renúncia de Chica, até então diretor-executivo da Federação de Departamentos. Segundo as denúncias da imprensa colombiana, um ex-guerrilheiro do ELN entrou em contato com Chica, quando o mesmo era alto conselheiro presidencial de assuntos políticos, e com Rendón para enviar ao presidente uma proposta de desmobilização de grandes bandas narcotraficantes do país. Santos afirmou que imediatamente remeteu o documento às autoridades judiciais e fez "o correto", lembrando que o fato "nem sequer se consumou precisamente pelas condições impostas pela procuradoria, enquanto (os traficantes) acabaram presos pelo governo ou se entregando às autoridades americanas". Na sequência desse escândalo que manchou a campanha de reeleição de Santos, a procuradoria desarticulou nesta semana uma sala de intercepções ilegais que supostamente tinha o objetivo sabotar o processo de paz, a qual era dirigida por Andrés Felipe Sepúlveda, quem trabalhou na campanha de Óscar Iván Zuluaga, o candidato do Centro Democrático e principal oponente do presidente. Mas, além disso, Sepúlveda é casado com a atriz Lina Luna, que trabalhou para Chica na presidência de Santos e que agora assessora Zuluaga, o pupilo do ex-presidente Álvaro Uribe, o que complica ainda mais essa trama de guerra suja eleitoral. Santos afirmou não conhecer Luna e qualificou o caso desse hacker como "escabroso e muito preocupante". "Isso já não é guerra suja, isto é um crime, já que tenta acabar com a esperança dos colombianos. É um delito e não sei por que querem matar a esperança dos colombianos com a paz", disse o presidente, ao exigir uma investigação rápida da Justiça sobre este episódio. O presidente negou categoricamente que o caso de espionagem se trate de uma "cortina de fumaça" para tapar o de J.J. Rendón, como defendeu ontem Zuluaga, e acusou os autores desta teoria de serem "cínicos". Após todas essas discussões, Santos pediu para cada candidato seguir centrado em suas próprias propostas e a deixar de lado "esta guerra suja que tem enfastiado o povo colombiano". EFE agp/fk








