Êxodo sírio continuará se ataque químico for ignorado, diz Turquia
Internacional|Do R7
GENEBRA, 4 Set (Reuters) - A crise de refugiados da Síria pode ficar mais grave se não houver uma reação internacional ao suposto ataque com armas químicas do mês passado, disse nesta quarta-feira o ministro de Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu.
"Se a mesma tendência continuar... e não houver nenhuma reação internacional a isso, seremos países vizinhos assustados diante de um número muito maior de refugiados", disse Davutoglu em entrevista em Genebra, organizada pela agência de refugiados da ONU.
O chanceler turco disse que o conflito sírio iniciado há dois anos se intensificou, levando 2 milhões de refugiados ao exterior, deslocando outras 5 milhões de pessoas no interior do país e com saldo de pelo menos 100 mil mortos.
"Se a comunidade internacional, e especialmente se o Conselho de Segurança (da ONU) estivesse unido nos estágios iniciais da escalada das tensões, hoje não teríamos todas essas opções difíceis sobre a mesa", disse.
Os Estados Unidos e seus aliados estão se preparando para contornar qualquer veto russo no Conselho de Segurança e lançar ataques militares contra a Síria, cujo governo eles acusam de realizar um ataque com armas químicas em 21 de agosto. As autoridades sírias negam a acusação.
O presidente russo, Vladimir Putin, apontou uma possibilidade de acordo internacional sobre a Síria nesta quarta-feira, ao se recusar a descartar por completo o apoio a uma ação militar, num momento em que a Rússia se prepara para sediar uma cúpula de líderes mundiais.
"Para mim, com ou sem ataque, quanto mais a situação se prolongar na Síria, mais o regime sente que está seguro, mais refugiados vamos ter no Líbano, na Jordânia, na Turquia e, talvez, no Iraque e em outros lugares", disse o ministro do Líbano para Assuntos Sociais, Wael Abu Faour.
(Reportagem de Tom Miles e Stephanie Nebehay)








