Extrema-direita da Alemanha caminha para vitória histórica no leste do país
AfD deverá chegar a 44,5% dos votos, contra 18,5% do conservador CDU; ainda não é certa a maioria para governar a Saxônia-Anhalt
Internacional|Do R7, com Reuters
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A extrema-direita caminha para uma vitória histórica nas eleições para o governo do estado de Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha. O partido alemão AfD deverá marcar 44,5% dos votos, segundo pesquisa de boca de urna divulgada neste domingo (6).
O resultado põe a AfD muito à frente dos partidos tradicionais, como o conservador CDU, que aparece com 18,5% da preferência do eleitorado.
Desde a Segunda Guerra Mundial, nenhum partido de extrema-direita conquistou o controle de um estado alemão. Se acontecer, significará deter poderes sobre o policiamento, a educação local e a cultura.
Apesar dos resultados positivos, não está claro se o AfD terá maioria para assumir efetivamente o governo.
O AfD celebrou o resultado como um “feito histórico”, e seu carismático líder estadual, Ulrich Siegmund, recusou-se a governar em coalizão com qualquer outro partido.
AfD e voos maiores
Para a AfD, a eleição na Saxônia-Anhalt é um trampolim para suas ambições maiores de conquistar o poder nacional nas próximas eleições nacionais, previstas para 2029.
Falando do lado de fora de uma seção eleitoral, Siegmund ressaltou a importância internacional do pleito, afirmando que se podia observar um sentimento mais amplo de mudança e a retomada da soberania nacional.
Caso vença, a AfD planeja orientar escolas e instituições culturais para valores mais tradicionais, marginalizar imigrantes e reformar profundamente o sistema público de radiodifusão.
No entanto, sem maioria absoluta, a AfD — classificada como “extremista de direita” pelo serviço de segurança estadual — teria dificuldades para integrar o governo devido ao chamado “cordão sanitário”: um acordo entre outros partidos políticos para formar coalizões com o objetivo de mantê-la fora do poder.
Siegmund, que chegou para votar em sua cidade natal, Tangermünde, em uma motocicleta Simson azul — sendo saudado por multidões de apoiadores entusiasmados —, descartou a possibilidade de formar coalizão com outros partidos.
Ele argumenta que é impossível para a AfD governar com os políticos tradicionais que, segundo ele, vêm levando a Alemanha à ruína nas últimas três décadas; em vez disso, ele busca conquistar 45% ou mais dos votos.
Não atingir essa marca abre caminho para negociações complexas de coalizão, que dependerão de quais partidos conseguirão superar a cláusula de barreira de 5%.
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