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Fator Berlusconi deixa Itália às portas da ingovernabilidade

Internacional|Do R7

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Miguel Cabanillas. Roma, 25 fev (EFE).- A Itália se encaminha à ingovernabilidade após as eleições gerais que a centro-esquerda venceu em número de votos, mas das quais sai um Senado sem maioria clara, graça à virada eleitoral alcançada pela coalizão de centro-direita do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Em uma apuração de votos apertada, o peculiar sistema eleitoral italiano voltou hoje a ser protagonista como no pleito de 2006, fazendo com que, apesar de não ter conquistado mais votos, Berlusconi consiga mais cadeiras no Senado e dificulte um Governo de centro-esquerda. Com uma participação de 75,17%, inferior em 5,33 pontos à do pleito de 2008, as primeiras eleições gerais realizadas no inverno na República da Itália veem também a irrupção com força da antipolítica do comediante Beppe Grillo no Parlamento, que se situa como o segundo partido mais votado, além da perda de força do tecnocrata Mario Monti, O ex-comissário europeu, após 13 meses de medidas de austeridade aplaudidas por Bruxelas, não passa do quarto lugar na apuração até agora e ficou abaixo das expectativas. Com mais de 90% das seções eleitorais apuradas para o Senado, a centro-esquerda de Pier Luigi Bersani, a quem todas as enquetes apontavam como favorito, conseguiu a vitória em número e percentagem de votos, com 31,79% dos sufrágios. Atrás, e não tão distante, ficou Berlusconi, que, após ter saído da cena política ao renunciar em novembro de 2011, retornou para liderar a lista de sua coalizão no Senado, permitindo uma recuperação da centro-direita nas enquetes que acabou se confirmando hoje, com 30,57% dos votos neste plenário. Em terceiro lugar está o Movimento 5 Estrelas de Grillo, com 23,75%, a segunda percentagem maior por si só de um partido, depois do Partido Democrata de Bersani; e, apenas em quarto lugar, aparece Monti, com 9,16% dos votos. O resultado do Senado é fundamental pela peculiaridade do sistema eleitoral italiano, que dá o prêmio da maioria à coalizão vencedora em uma distribuição região por região, com territórios como o da Lombardia, habitual reduto da centro-direita, que fornece quase 50 senadores. Com quase 90% das seções eleitorais apuradas, a coalizão de Berlusconi leva o prêmio da maioria da Lombardia, com 37,8% dos votos, contra 29,73% da centro-esquerda de Bersani. Este resultado, junto aos de outras regiões, arma um cenário no qual, com um total de 315 membros eleitos, a centro-esquerda conseguiria 104 cadeiras no Senado, frente às 123 da centro-direita de Berlusconi, as 17 de Monti e as 57 de Grillo. Com uma maioria absoluta cifrada em 158 senadores, Bersani necessitaria buscar aliados e não lhe seria suficiente nem sequer com os senadores de Monti, o que pode traduzir-se em um bloqueio neste plenário, onde parece pouco provável que a antipolítica defendida por Grillo esteja disposta a pactuar com os partidos tradicionais. Já em 2006, o Governo de centro-esquerda de Romano Prodi que saiu das urnas viveu uma situação instável (durou apenas cerca de dois anos), com um Senado no qual tinha maioria graças ao apoio dos senadores vitalícios. Perante esta situação de ingovernabilidade, um dos palcos que mais temiam os sócios europeus da Itália, terceira economia da zona do euro, há vozes de diferentes frentes políticas que já cogitam a possibilidade de formar um Governo de união nacional para reformar o sistema eleitoral e voltar depois às urnas. Na Câmara dos Deputados, pelo contrário, Bersani obtém uma maioria clara com a centro-esquerda, graças ao sistema de distribuição em termos do conjunto do Estado do prêmio à coalizão mais votada, que, com quase 85% dos votos apurados, alcança 30,06% dos sufrágios. Atrás na Câmara ficam a centro-direita de Berlusconi, com 28,71%; o Movimento 5 Estrelas, que em suas primeiras eleições legislativas obtém por si só 25,41% dos sufrágios, e a coalizão de Monti, com 10,61% dos apoios. EFE mcs-ebp/rsd (foto)

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