Governo venezuelano vigia "acampamento golpista" na embaixada de Cuba
Internacional|Do R7
(Atualiza com declarações de Capriles) Caracas, 16 fev (EFE).- O Governo venezuelano anunciou neste sábado que está vigiando o "acampamento golpista" montado em frente à embaixada de Cuba, onde um grupo de estudantes protestam há três dias contra a "ingerência" da ilha, e voltou a responsabilizar o líder opositor, Henrique Capriles, por esses fatos. "Se eles querem montar esse acampamento golpista, nós estaremos atentos, protegendo a embaixada de Cuba e brindando-a com as garantias diplomáticas que o direito internacional nos exige", indicou o vice-presidente, Nicolás Maduro, em um ato governamental transmitido pela televisão estatal. Maduro também voltou a evidenciar a rejeição do Executivo ao "detestável ataque da direita" contra essa embaixada e, por isso, responsabilizou novamente Capriles, governador de Miranda, e o prefeito de Baruta, o opositor Gerardo Blyde, pelos fatos ocorridos, já que a sede se encontra nesse estado e município, respectivamente. "Eles dois são os responsáveis pela agressão a sede da embaixada de Cuba, a qual, neste momento, está latente em frente à embaixada. Nós os responsabilizamos", insistiu Maduro. Horas depois de o vice-presidente ter indicado que tinha comunicado o procurador-geral para se manter "alerta em relação a essa agressão", o Ministério Público abriu uma investigação para determinar se o protesto chegou a colocar "em risco" a sede diplomática. Posteriormente, Capriles desprezou as considerações feitas pelo Governo e assegurou que essa é apenas mais uma acusação de uma longa lista que procura "destruir aqueles que querem enfrentar as coisas com a verdade". "Agora se nos acusa de conspiradores (...) qualquer coisa que acontece, querem nos apontar como responsáveis", declarou Capriles aos jornalistas durante a entrega de uma escola em Miranda (centro), estado onde é governador. "Eu quero dizer a esses senhores que esta é a conspiração na qual eu ando: gabinetes paroquiais, percorrendo bairros e fazendo o que eles não fazem, ou seja, resolvendo problemas", manifestou. Desde a última quinta-feira, cerca de 20 estudantes opositores estão concentrados em frente à embaixada cubana, sendo que a maioria segue atado com correntes e cadeados para reivindicar mais informações sobre a saúde do presidente Hugo Chávez, hospitalizado em Havana há mais de dois meses, e assegurar a "soberania do país" frente à ilha. Segundo pôde constatar a Agência Efe ontem, cerca de 60 membros da Polícia Nacional Bolivariana (PNB) e outra dezena da Guarda Nacional (GNB) estão custodiando essa mesma sede diplomática. Na última quinta-feira, sete estudantes foram detidos durante umas horas pela Guarda Nacional (GNB), os quais chegaram a denunciar uma série de agressões. No entanto, tais denúncias não foram confirmadas pelo Governo, enquanto Maduro recomendou a aplicação severa da lei aos corpos policiais. Neste sábado, vários deputados opositores, como María Corina Machado, se aproximaram da sede diplomática para se solidarizar com os jovens e para realizar uma assembleia cidadã sobre a influência cubana na Venezuela. "Os estudantes estão se manifestando de forma pacífica, amparados na Constituição nacional e defendendo nossos direitos", declarou aos jornalistas um dos universitários, José Vicente García, lembrando que não sairão do local até que Chávez volte à Venezuela para governar o país. EFE csc/fk










