Instrutor sofre parada cardíaca durante aula de primeiros socorros e é salvo por alunos
Professor participava de uma demonstração em uma faculdade nos Estados Unidos e viu estudantes colocarem treinamento em prática
Internacional|Do R7
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O que começou como uma demonstração comum em uma aula sobre atendimento de emergência terminou em uma situação real de vida ou morte em uma faculdade no estado do Wisconsin, nos Estados Unidos.
O instrutor Karl Arps, de 72 anos, sofreu uma parada cardíaca diante dos próprios alunos durante uma atividade prática de treinamento para futuros técnicos em emergências médicas.
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Arps dava aula no curso de formação de socorristas da Fox Valley Technical College, na cidade de Appleton, em 25 de março, quando simulava o atendimento a um paciente com dores no peito dentro de uma ambulância cenográfica. Poucos minutos depois do início da aula, ele começou a respirar com dificuldade e perdeu a consciência.
Inicialmente, os estudantes acreditaram que tudo fazia parte do exercício. Logan Lehrer, de 26 anos, bombeiro que está em treinamento como técnico em emergências médicas, afirmou que ouviu o professor emitir sons semelhantes a roncos e imaginou que aquilo fosse apenas um novo sintoma introduzido no cenário da atividade.
Segundo ele, cerca de dez segundos depois surgiu a sensação de que algo estava realmente errado. O caso deixou de ser uma simulação e se transformou em uma emergência verdadeira.
Arps havia sofrido um ataque que levou à parada cardíaca. Os estudantes então acionaram outro instrutor e iniciaram imediatamente os protocolos de socorro ensinados pelo próprio professor durante o curso.
Os alunos retiraram Arps da ambulância cenográfica e o colocaram no chão, já que as manobras de ressuscitação cardiopulmonar precisam ser feitas em uma superfície rígida. Enquanto alguns estudantes se revezavam nas compressões torácicas a cada dois minutos, outros buscaram um desfibrilador externo automático e acionaram o serviço de emergência. Também houve quem organizasse o espaço para a chegada dos paramédicos.
Sofie DeValk, de 21 anos, ajudou a cortar a camisa do professor e monitorar os sinais vitais. Ela afirmou ao jornal The Washington Post que estudar sobre parada cardíaca em livros é muito diferente de presenciar a situação pessoalmente.
Quando os paramédicos chegaram ao local, Arps já havia recuperado os batimentos cardíacos.
O instrutor afirmou que os alunos seguiram o treinamento “exatamente como haviam aprendido”. Com 25 anos de atuação como técnico em emergências médicas e quase duas décadas formando novos profissionais, ele disse nunca ter sido diagnosticado anteriormente com doença cardíaca.
Arps contou que apenas sentia cansaço frequente, algo que atribuía ao envelhecimento. No início da simulação, percebeu uma leve tontura, mas não imaginou que estivesse sofrendo um problema grave de saúde.
Segundo o professor, restavam cerca de 30 minutos para o fim da aula quando o coração parou. Ele acredita que, se o episódio tivesse ocorrido pouco depois, já sozinho no carro voltando para casa, dificilmente teria sobrevivido.
Após o atendimento inicial, Arps foi levado ao hospital ThedaCare Regional Medical Center, onde passou diretamente por procedimentos cardíacos especializados. Ele ficou quatro dias na unidade de terapia intensiva antes de ser submetido a uma cirurgia de ponte de safena tripla.
A taxa de sobrevivência de paradas cardíacas fora de hospitais é de aproximadamente 10%, segundo a Cruz Vermelha Americana. O professor afirmou que, em mais de duas décadas trabalhando na área, consegue contar nos dedos quantas pessoas viu sobreviver a situações semelhantes.
A turma responsável pelo socorro se reúne três vezes por semana em aulas de quatro horas que misturam teoria e treinamento prático em medicina de emergência, atendimento a traumas e técnicas de salvamento. O curso começou em setembro, e os estudantes devem concluir a formação neste mês.
Dos 18 alunos da turma, seis participaram diretamente do resgate do professor. Para Arps, a situação mostrou a importância de ensinar ressuscitação cardiopulmonar não apenas para profissionais da saúde, mas também para a população em geral.
Em recuperação após a cirurgia, Arps iniciou sessões de reabilitação cardíaca e espera voltar às salas de aula em breve. Desde a operação, ele já retornou duas vezes à faculdade para visitar estudantes e colegas.
O reencontro emocionou o instrutor, que afirmou não ter percebido ao longo da carreira quantas pessoas havia impactado por meio do ensino. Já os estudantes disseram sentir alívio ao vê-lo novamente caminhando e em recuperação.
Para Arps, a experiência serviu como prova concreta de que seus alunos aprenderam corretamente as lições transmitidas durante o curso. Segundo ele, sem o conhecimento de ressuscitação cardiopulmonar, a conversa agora seria sobre seu funeral, e não sobre sua sobrevivência.
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