Investigação de atentados de Boston avança com dúvidas sobre atuação de FBI
Internacional|Do R7
Miriam Burgués Washington, 24 abr (EFE).- A investigação sobre os atentados realizados durante a maratona de Boston avança enquanto aumentam as dúvidas sobre uma ação do FBI em 2011, quando considerou inocente de acusações da Rússia o suposto coautor das explosões, Tamerlan Tsarnaev, de origem chechena, que foi morto em confronto com a polícia na última sexta-feira. O segundo suspeito, Dzhokhar Tsarnaev, de 19 anos, permance internado, e seu estado é "favorável", informou o hospital nesta quarta-feira. A partir dos interrogatórios aos quais Dzhokhar foi submetido, os investigadores concluíram que os dois irmãos colocaram e detonaram as duas bombas, e que agiram sozinhos. A motivação foi religiosa, em defesa do islã, além de serem contra as guerras no Iraque e no Afeganistão. No entanto, funcionários do governo americano na Rússia viajaram à região do Daguestão, no Cáucaso Norte, para interrogar os pais dos suspeitos, segundo informou a emissora "CNN". Vários conhecidos dos irmãos Tsarnaev contaram à imprensa que Tamerlan, de 26 anos, tinha adotado uma posição religiosa extremista há um tempo. Elmirza Khozhgov, ex-cunhado dos irmãos, contou hoje à "CNN" que um amigo de Tamerlan chamado Misha teve influência sobre ele e o introduziu na religião. Um tio dos suspeitos, Ruslan Tsarni, que mora no estado de Maryland (EUA), explicou à "CNN" que Tamerlan começou a mudar em 2009 por causa de um amigo que tinha em Cambridge (Massachusetts). Na medida em que os detalhes sobre os motivos dos atentados - que foram realizados no 15 de abril, e deixaram três mortos e mais de 280 feridos - são esclarecidos, surgem questionamentos sobre a atuação do FBI, por ter encerrado uma investigação sobre Tamerlan iniciada em 2011, a pedido da Rússia. Em março daquele ano, o FBI recebeu um pedido da Rússia para interrogar Tamerlan por ser, supostamente, "um seguidor radical do islã". Segundo o FBI, durante essa investigação não foi encontrado nada suspeito, nem indícios de atividade terrorista por parte de Tamerlan. Além disso, a Rússia não respondeu a um pedido de informação adicional sobre o jovem. O FBI afirma também que não sabia que Tamerlan havia passado vários meses no Daguestão, em 2012, supostamente por causa de um erro de ortografia em uma base de dados que contém todos os voos que saem dos EUA, com uma lista de possíveis terroristas. O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, afirmou hoje a jornalistas na Bélgica, onde está em viagem oficial, que Tamerlan retornou de sua viagem à Rússia "disposto a matar". O Departamento de Segurança Nacional (DHS) estava ciente da saída de Tamerlan dos EUA em um voo com destino a Moscou, mas não sabia de seu retorno, pois o alerta sobre seu nome havia expirado. O FBI "não fez o suficiente" para comprovar os antecedentes de Tsarnaev e o DHS falhou na hora de comunicar suas preocupações sobre o jovem, denunciou na última terça-feira o senador republicano Charles Grassley, que afirma que há "muitas perguntas sem resposta" neste caso. "Temos que deixar que a investigação continue e fazer avaliações apenas quando todos os fatos forem esclarecidos", pediu hoje o porta-voz da Casa Branca em sua entrevista coletiva diária. Enquanto isso, Dzhokhar continua no hospital de Boston, onde foi internado após ser detido na última sexta-feira. Dzhokhar foi acusado formalmente pelo "uso de armas de destruição em massa" o que pode levar à pena de morte ou à prisão perpétua. Durante sua fuga, os irmãos Tsarnaev mataram o policial Sean Collier, que foi homenageado hoje no Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT). Dezenas de milhares de pessoas compareceram à cerimônia, entre elas o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, que condenou as ações dos "dois covardes, deturpados, pervertidos, jihadistas sem importância" que cometeram os atentados. EFE mb/apc/id











