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Italianas farão 'dia sem sutiã' após críticas contra capitã de navio

Artigo criticando Carola Rackete, capitã da embarcação da ONG Sea Watch, por ter ido a uma audiência judicial sem sutiã causou indignação

Internacional|Da EFE

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O #freenipplesday acontecerá neste sábado (27)
O #freenipplesday acontecerá neste sábado (27)

As críticas feitas por um jornal italiano depois que a capitã da embarcação da ONG Sea Watch, Carola Rackete, compareceu a uma audiência judicial sem sutiã provocaram indignação entre muitas italianas, que como forma de protesto pediram que no dia 27 de julho nenhuma mulher use essa peça de roupa.

"Carola Rackete sem sutiã na promotoria. Descaramento sem limites", criticou um artigo publicado no jornal italiano Libero Quotidiano sobre a capitã, investigada na Itália após ter desembarcado 40 imigrantes sem permissão no porto da ilha italiana de Lampedusa.


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O artigo provocou indignação entre as italianas, que nas redes sociais criticaram o julgamento moral sobre a falta do uso do sutiã pela ativista alemã e demonstraram solidariedade.

No entanto, as redes sociais também ficaram cheias de comentários vulgares e machistas sobre a decisão da capitã de não usar esta peça de roupa durante a audiência.


O caso levou duas jovens de Turim, no norte da Itália, a lançar a iniciativa de um "dia sem sutiã" para todas as mulheres da Itália a partir da hashtag #freenipplesday.

"Reivindicamos o direito das mulheres a se vestir como quiserem sem serem criticadas", explicaram aos meios de comunicação Nicoletta Nobile e Giulia Trivero, que convidaram todas as mulheres "a não usarem sutiã no sábado".


"O protesto nasceu em forma de ironia, mas tem um objetivo. Fazer escândalo por uma mulher não usar sutiã faz com quem tiremos o foco do verdadeiro conteúdo (da notícia) e de novo foca na utilização do corpo da mulher", acrescentaram as jovens em declarações ao jornal La Repubblica.

"O debate político é oculto pela enésima vez e a deslegitimação dos argumentos é feita através da humilhação e da censura do corpo feminino, por isso propomos um dia para afirmar o direito a não usar o sutiã", destacaram.


"No sábado, 27 de julho, promovemos o#freenipplesday ao qual todos podem se unir sem distinção de sexo e gênero. Sim, queridos homens, nesse dia, os senhores também poderão se sentir livres para não ter que usar esse instrumento apertado e incômodo e, mesmo assim, ser capaz de se expressar sem ser julgado", ironizaram na mensagem.

Jornalistas, políticas e mulheres do mundo do espetáculo lançaram suas mensagens de solidariedade a Carola Rackete e, sobretudo, demonstraram raiva pelo comentário do jornal.

Susanna Camusso, ex-secretária-geral do maior sindicato do país, o CGIL, se manifestou em uma das colunas do Huffington Post.

"Me lembro quando o sutiã era um símbolo que se mostrava nas manifestações feministas. Símbolo da vontade de afirmar nossa liberdade de vestir, de decidir e escolher entre elegância, comodidade, encantamento, informalidade, necessidade; não um código, mas nós e o prazer de sermos livres de decidir, variar segundo os dias, o estado de ânimo, os compromissos, as estações, a idade", escreveu.

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