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Jihad Islâmica acelera escalada de violência em Gaza

Retorno do grupo a ações regionais expõe sua fragilização global e abre espaço para fragmentação de forças contrárias a Israel, segundo professor

Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

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Jihad e Hamas são ligados à Irmandade Muçulmana
Jihad e Hamas são ligados à Irmandade Muçulmana

Houve uma época, na década de 80, em que, apesar de também ter surgido na Faixa de Gaza, o grupo Jihad Islâmica organizava atentados contra Israel desde a Cisjordânia. Lá havia montado um quartel-general, nas cidades de Jenin e Hebron. E, de lá, procurou em seguida expandir seu caráter panfletário antissionista, por meio de atentados terroristas pelo mundo.

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Criado em 1981, e tendo como braço armado as brigadas Al-Quds, o grupo Jihad Islâmica tinha um caráter regional. Até passar a ter o auxílio do Hamas, grupo criado em 1987, que comandou a primeira Intifada, revolta contra Israel desde os territórios ocupados.

Com o tempo, o Hamas centralizou suas ações a partir de Gaza, após vencer as eleições entre os palestinos em 2006, mas não assumindo o poder.


Houve um conflito bélico entre o Hamas e a Al-Fatah, braço armado da AP (Autoridade Palestina), e a ruptura com a AP, que passou a administrar apenas a Cisjordânia, enquanto o Hamas ficou com Gaza.

A Jihad, naquele momento, estava longe. Tinha no Hamas um representante regional. Ambos os grupos são afinados às diretrizes da Irmandade Muçulmana, que, a partir do Egito, espalhando-se por vários países, prega a destruição do Estado de Israel. A base de seu discurso é política-religiosa.


Mas o tempo passou. E, ao espalhar suas ações pelo mundo, a Jihad Islâmica apostou alto. Aliou-se com a Al-Qaeda. E perdeu terreno após o enfraquecimento da organização, causado por ações americanas e com a morte de Osama bin Laden, em 2011. A Jihad, então, se viu em meio a um dilema.

Sem fôlego internacional, sentiu necessidade de recuperar o espaço regional, atuando diretamente em favor de sua principal bandeira: a destruição do Estado de Israel, conforme afirma o professor Danilo Porfírio de Castro Vieira, de Relações Internacionais do Uniceub (Centro Universitário de Brasilia).


E nos últimos dias passou a dividir com o Hamas os ataques a Israel, que nesta terça-feira (29) se intensificaram após os grupos lançarem de Gaza dezenas de morteiros em território israelense. Mas o que antes era auxílio se transformou em uma competição, até agora, velada.

— Vejo o retorno da Jihad Islâmica a ações regionais como uma mostra de seu enfraquecimento, já que o grupo está diminuindo sua dimensão de ação, passando de internacional para regional. O grupo retorna às suas origens, mas competindo com o Hamas na busca de espaço, quando se fala de ação sunita religiosa palestina.

Esta disputa pode até intensificar a onda de violência contra Israel neste momento. Mas, buscando aglutinar rastros da Al-Qaeda e tentando ampliar uma frente religiosa anti-Israel, os grupos radicais acabam se fragilizando por causa da fragmentação.

Tais situações costumam favorecer o diálogo em longo prazo, diante do desespero do enfraquecimento, como vem ocorrendo com o Hamas e como ocorreu outrora com a Al-Fatah, que em 1995 negociou um acordo de paz, antes impensável, com Israel. Em função justamente de uma fragmentação interna, após uma divisão com o Hamas.

A diferença, conforme frisa Castro Vieira, é que a Al-Fatah restringe seu discurso ao caráter político e à busca da auto-afirmação do povo árabe, na mesma linha do partido Baath, que desde a década de 50 prega essa política.

— O Hamas e a Jihad, como a Irmandade Muçulmana, têm discurso e engajamento politico-religiosos, com ações de violência. O Al-Fatah abandonou formalmente a ação violenta.

O caráter religioso pode ser um complicador a mais. Mas, nem por isso, o conceito secular de pan-arabismo foi menos hostil a Israel. Ditadores como Gamal Abdel Nasser, Saddam Hussein e o líder da antiga OLP (Organização para a Libertação da Palestina), Yasser Arafat, eram inimigos declarados de Israel. Arafat e o sucessor de Nasser, Anwar Al Sadat, realizaram o inimaginável, promovendo acordos de paz com o Estado judaico.

Mas, quem aposta que, por causa do caráter religioso, um diálogo com o Hamas se torna impossível, deve se lembrar que o maior líder militar de Israel, Moshe Dayan, tinha amplo trânsito entre os árabes. Dayan dançava junto com eles na tribo de Izzedin al-Qassam, com braços esticados, agachando-se e batendo palmas no acampamento do líder. Que inspirou o nome do atual grupo Izzedin al-Qassam. Simplesmente o braço armado do Hamas.

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