Logo R7.com
RecordPlus

Julgamento do Carandiru teve depoimento de Fleury e duas novas testemunhas

Internacional|Do R7

  • Google News

São Paulo, 30 jul (EFE).- O segundo dia da segunda fase do julgamento do "massacre do Carandiru" nesta terça-feira foi marcado por depoimentos, como o do ex-governador Fleury e do ex-secretário de segurança Pedro Franco de Campos, justificando a ação dos 25 policiais acusados de matar 111 presos devido à necessidade de se acabar com uma rebelião violenta, além de dois depoimentos inéditos. No segundo dia do julgamento os advogados apresentaram diversas testemunhas - inclusive duas inéditas que tiveram seus depoimentos mantidos em sigilo - que coincidiram em afirmar que a ação policial que terminou com 111 mortes "foi necessária". Um deles foi o então governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury Filho, que garantiu que a ação da polícia foi "legítima e necessária", mas condenou os "excessos". Fleury disse que muitos dos presos estavam armados e enfrentaram a polícia, que "não teve outro remédio além de agir". O então secretário de segurança, Pedro Franco de Campos, justificou a invasão dizendo não haver "outra alternativa". "As negociações estavam esgotadas. A situação era caótica", disse ele. Essa mesma tese foi sustentada por outras testemunhas, como o desembargador Ivo de Almeida, que na época era juiz-corregedor, e esteve no dia 2 de outubro de 1992 no Carandiru antes da ação policial. "Quando chegamos, houve tentativas de negociação" com os presos que tinham tomado o controle da prisão, "mas não houve sucesso" e "a invasão foi necessária", declarou Almeida. O julgamento dos 25 policiais corresponde à segunda fase do processo, que começou em abril e já condenou 23 agentes a 156 anos de prisão, acusados da morte de 13 presos. O Carandiru, a maior penitenciária de São Paulo na época, é considerado por organizações de direitos humanos como a melhor amostra do caos que existe ainda hoje no sistema penitenciário do país. Para essas mesmas organizações, as coisas não mudaram muito nas últimas duas décadas e, segundo dados oficiais, o Brasil possui hoje uma população carcerária de 514 mil pessoas que se amontoam em prisões cuja capacidade permitiria abrigar somente 70% desse montante. O Carandiru foi demolido em 2002 e o lugar foi transformado em um parque público. EFE ed/rpr

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.