Internacional Líder destituída de Mianmar é colocada em isolamento em prisão

Líder destituída de Mianmar é colocada em isolamento em prisão

Desde que foi derrubada em um golpe de Estado, Aung San Suu Kyi estava em uma residência vigiada em um local não revelado

AFP

Resumindo a Notícia

  • Líder destituída de Mianmar que estava em prisão domiciliar desde 2021
  • Aung San Suu Kyi foi transferida para um complexo penitenciário da capital do país
  • Vencedora do prêmio Nobel da Paz pode ser condenada a mais de 150 anos de prisão
  • Fonte próxima afirma que Suu Kyi está com "bom ânimo"
Líder destituída de Mianmar, Aung San Suu Kyi

Líder destituída de Mianmar, Aung San Suu Kyi

STR / AFP

Aung San Suu Kyi, a líder destituída de Mianmar que estava em prisão domiciliar desde 2021, foi transferida para um complexo penitenciário da capital do país, Naipyidaw, onde foi colocada em isolamento, anunciou a junta militar que governa o país

"De acordo com as leis criminais (...) ela é mantida em confinamento solitário na prisão desde quarta-feira (22)", afirmou Zaw Min Tun, porta-voz da junta, em um comunicado.

Desde que foi derrubada em um golpe de Estado no ano passado, Suu Kyi estava presa em uma residência vigiada em um local não revelado de Naypyidaw, acompanhada por várias pessoas que trabalham em sua casa e seu cachorro, de acordo com várias fontes.

A vencedora do prêmio Nobel da Paz, de 77 anos, deixou o local apenas para comparecer às audiências de seu julgamento, em um processo que pode condená-la a mais de 150 anos de prisão.

Na quarta-feira, Suu Kyi foi "transferida para a prisão", disse à AFP uma fonte próxima ao caso. 

Os funcionários de sua residência e o cachorro não a acompanharam, explicou a fonte, que também destacou o reforço da segurança ao redor da prisão para a qual a líder birmanesa foi enviada. 

"Pelo que sabemos, Aung San Suu Kyi goza de boa saúde, acrescentou a fonte. Os advogados de defesa não podem falar com a imprensa e os jornalistas não estão autorizados a acompanhar o julgamento.

Outra fonte próxima afirmou que Suu Kyi está com "bom ânimo". 

"Ela está acostumada a enfrentar qualquer tipo de situação com calma", disse.

"Pelo que podemos analisar, a junta de Mianmar segue para uma fase muito mais punitiva a respeito de Aung San Suu Kyi", disse Phil Robertson, vice-diretor para a Ásia da ONG Human Rights Watch.

"Obviamente estão tentando intimidá-la, assim como seus partidários", acrescentou. 

Sob o regime da junta militar anterior, antes do breve período democrático que terminou em 2021, a líder birmanesa passou vários anos em prisão domiciliar na residência de sua família em Yangon, a cidade mais importante do país.

Desde que foi derrubada em fevereiro de 2021, suas relações com o mundo exterior se limitam a breves encontros com os advogados antes das audiências.

As audiências aconteceram em um edifício municipal da capital Naipyidaw, mas esta semana uma fonte próxima ao caso informou que a partir de agora serão realizadas em um novo tribunal construído dentro de uma prisão. 

Nos últimos meses, Suu Kyi foi condenada a 11 anos de prisão depois de ser declarada culpada de corrupção, incitação à violência e violação das regras sanitárias decretadas devido à pandemia de coronavírus, além de ser considerada culpada de não respeitar a lei de telecomunicações.

Vários analistas internacionais criticaram o processo, que consideram ter motivações políticas para afastar do poder Aung San Suu Kyi, filha de um herói da independência e que venceu as eleições de 2015 e 2020.

No fim de maio, parentes da ex-dirigente apresentaram uma queixa contra a junta militar a um grupo de trabalho da ONU para denunciar um "sequestro judicial".

O golpe de Estado mergulhou o país no caos e quase 2.000 civis foram assassinados pelas forças de segurança e mais de 1.400 foram detidos, segundo o balanço de uma ONG local.

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