Internacional Macron virá ao Brasil em março para discutir acordo da União Europeia com Mercosul

Macron virá ao Brasil em março para discutir acordo da União Europeia com Mercosul

Anúncio foi feito após reunião com Lula na COP28, em Dubai. Segundo o governo brasileiro, visita ocorrerá em 27 de março

AFP
O presidente francês mencionou uma "agenda bilateral extremamente densa" e "muitos pontos de vista coincidentes" com Lula

O presidente francês mencionou uma "agenda bilateral extremamente densa" e "muitos pontos de vista coincidentes" com Lula

Thaier Al Sudani/Reuters 01.12.23

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou neste sábado (2) que viajará ao Brasil em março para discutir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.

Macron anunciou a decisão depois de reunir-se com Lula na COP28, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo o Palácio do Planalto, a visita ocorrerá em 27 de março.

O presidente francês mencionou uma "agenda bilateral extremamente densa" e "muitos pontos de vista coincidentes" com Lula, a quem considerou um presidente "visionário" e "corajoso".

Entre as coincidências, Macron citou "a luta contra o desmatamento (...), questões de defesa, interesses econômicos e questões culturais". 

Os líderes também discutirão o futuro do acordo comercial entre a UE e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), fechado em 2019, após 20 anos de duras negociações. 

O acordo, no entanto, não foi ratificado devido a preocupações do bloco europeu com as políticas ambientais, especialmente as do Brasil. 

Esse acordo é "completamente contraditório" com o que o presidente Lula "está fazendo no Brasil", afirmou Macron. 

O pacto "não leva em consideração a biodiversidade e o clima" e se reduz a um acordo "mal remendado", que "desmantela as tarifas" como era feito anteriormente, alegou. 

O presidente francês solicitou, entre outras coisas, que o acordo recompensasse "o Brasil por sua política florestal". 

"A comunidade internacional e a União Europeia devem ajudá-los e, portanto, conceder-lhes créditos de carbono para que não desmatem, porque têm um tesouro florestal no Brasil", insistiu, referindo-se à Amazônia. 

"Cada país tem o direito de ter uma posição. Acho que é o direito dele ser contra. A França sempre foi um país mais duro para fazer acordo porque a França é mais protecionista. Não é a mesma posição da União Europeia, que pensa outra coisa", declarou Lula aos jornalistas em Dubai.

As negociações entre as duas partes continuam no momento, apesar de Brasil e Argentina qualificarem as exigências da UE como parciais e inaceitáveis.  

Lula, porém, se mostrou confiante na sexta-feira e escreveu na rede social X que as partes estavam perto de "fechar esse acordo". O Brasil exerce a presidência semestral do Mercosul.

Na sexta-feira, Lula participou de reuniões paralelas à COP28 em Dubai.

Segundo o Palácio do Planalto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e Lula reconheceram os avanços significativos nas reuniões entre suas equipes técnicas após uma conversa por telefone entre eles.

"A UE está comprometida em fechar esse acordo", escreveu Von der Leyen no X na sexta-feira.

A próxima cúpula regional do Mercosul será em 7 de dezembro no Rio de Janeiro, três dias antes da posse do ultraliberal Javier Milei na Argentina. O Brasil teme que sua chegada ao poder coloque o acordo em risco.

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