Mulher passa 71 anos achando que era filha única até receber um e-mail de seu irmão
Aposentada norte-americana descobre parente japonês e reconstrói passado familiar com ajuda da tecnologia
Internacional|Do R7

Durante mais de sete décadas, a norte-americana Sharon L., uma enfermeira aposentada, viveu convicta de que era filha única. Essa certeza foi abalada apenas aos 71 anos, quando um simples e-mail mudou o rumo de sua história.
O remetente, Akihiko N., um professor japonês aposentado de 73 anos, trazia consigo uma revelação que transformaria a vida de ambos: ele era seu irmão.
LEIA MAIS:
Ambos cresceram nutrindo dúvidas sobre o passado de seu pai, John, que faleceu em 2003. John sempre guardou um luto silencioso por um filho que acreditava ter sido entregue à adoção no Japão do pós-guerra. Já Akihiko, por sua vez, viveu sentindo-se abandonado pelo pai americano que nunca chegou a conhecer. O elo perdido só foi encontrado em 2022, graças a um teste de DNA realizado por Naima, filha de Akihiko, em Tóquio.
A conexão genética feita pelo serviço MyHeritage ligou Naima a Charlene, prima de Sharon que vive na Califórnia. “Ela me disse que algo muito estranho havia acontecido, que tínhamos parentes no Japão”, contou Sharon. A confirmação veio logo depois: Sharon também realizou um teste de DNA, comprovando que Naima era, de fato, sua sobrinha.
Para Akihiko, a notícia chegou de forma totalmente inesperada. Ele desconhecia a busca da filha por informações sobre seus antepassados. “Foi um grande choque. Passei sete décadas sem saber nada do meu pai biológico”, relata. Ao descobrir a verdade, sentiu alegria pela família encontrada, mas lamentou nunca ter conhecido o pai, já falecido.
As histórias paralelas de Sharon e Akihiko revelaram décadas de equívocos. Sharon sabia do sofrimento do pai, que buscou, em vão, encontrar o filho perdido. John serviu como militar nos anos 1950 no Japão, onde se apaixonou. Quando sua companheira engravidou, ele foi transferido de volta aos EUA. Posteriormente, ao retornar ao Japão, recebeu a informação, por parte da família da mulher, de que teria um filho que foi entregue à adoção.
Já Akihiko cresceu sob o peso de uma narrativa diferente. “Minha mãe nunca falou sobre meu pai biológico, só dizia que ele era americano e tinha morrido”, lembrou. O professor também enfrentou o preconceito por ser mestiço no Japão do pós-guerra, sendo frequentemente chamado de “gaijin”, termo pejorativo para estrangeiros. “Sempre achei que tinha sido abandonado pelo meu pai”, confessou.
O choque da descoberta não foi apenas para Akihiko. Sharon também se surpreendeu ao perceber que, durante toda a vida, o irmão acreditou que não era desejado. “Pude provar a ele que estava enganado, que nosso pai nunca desistiu de procurá-lo”, afirmou.
O destino ainda guardou ironias: durante a carreira acadêmica, Akihiko visitou a Califórnia diversas vezes entre as décadas de 1980 e 1990, sem saber que estava a poucas centenas de quilômetros do pai. “Poderia tê-lo conhecido, tive várias oportunidades e não soube aproveitar”, lamentou.
Apesar do tempo perdido, a conexão entre os irmãos foi imediata. “Quando nos encontramos no aeroporto, corremos um para o outro, nos abraçamos e beijamos como se nos conhecêssemos desde sempre”, recorda Sharon, impressionada com a semelhança física de Akihiko com o pai.
Desde então, a família se reuniu várias vezes na Califórnia, e o contato diário por e-mail tornou-se rotina. Akihiko, agora acolhido por toda a família, recebeu inclusive o carinho da viúva do pai, que o trata como um filho. Em suas palavras, Sharon define o reencontro: “Estou fechando um ciclo para meu pai, para meu irmão e para mim. Só queria que meu pai estivesse aqui para ver isso”.
A história dos irmãos evidencia o impacto duradouro dos segredos familiares e o potencial da tecnologia em restaurar laços perdidos. Para Sharon, a experiência traz uma mensagem de esperança. “Estamos espalhando boas notícias em tempos difíceis. Vejo nosso reencontro como um verdadeiro milagre”, disse.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp









