Logo R7.com
RecordPlus

Saiba o que esperar das negociações de paz entre EUA e Irã neste final de semana

Autoridades americanas e iranianas vão se reunir neste fim de semana no Paquistão

Internacional|Lex Harvey, da CNN Internacional

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • As negociações de paz entre EUA e Irã estão programadas para o próximo fim de semana em Islamabad, Paquistão.
  • Um cessar-fogo frágil de duas semanas permite às partes dialogar, mas divergências sobre a inclusão do Líbano podem comprometer as conversas.
  • As delegações serão lideradas por representantes de alto escalão dos EUA e do Irã, incluindo o vice-presidente JD Vance e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
  • Enquanto Trump se mostra otimista sobre as negociações, diferenças significativas entre os termos propostos por ambos os lados podem dificultar um acordo duradouro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Israel lançou ataques contra o grupo terrorista Hezbollah, no Líbano Hassan Ammar/AP via CNN Internacional - 08.04.2026

A vida de milhões de pessoas no Oriente Médio — e o destino da economia global — dependerá do resultado de negociações decisivas entre Estados Unidos e Irã neste fim de semana, no Paquistão.

As ruas da capital, Islamabad, foram esvaziadas por um feriado público repentino de dois dias, decretado para garantir segurança máxima à chegada das delegações americana e iraniana para suas primeiras conversas desde o início da guerra.


Um frágil cessar-fogo de duas semanas, que abriu caminho para as negociações, segue em vigor por enquanto. No entanto, os bombardeios massivos e mortais de Israel contra o Hezbollah e as divergências sobre a inclusão do Líbano na trégua ainda podem comprometer as reuniões.

LEIA MAIS

Quem participará das negociações?

As conversas entre Irã e Estados Unidos devem começar na manhã deste sábado (11), no horário local, em Islamabad, segundo a Casa Branca.


A delegação americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance, pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.

Teerã não anunciou oficialmente sua delegação, mas veículos locais informam que ela será liderada pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Conhecido por reprimir dissidências, Ghalibaf se tornou um interlocutor-chave com o governo Trump durante a guerra. Muitos líderes iranianos foram mortos em ataques recentes realizados por EUA e Israel.


O que será discutido?

Como os dois lados não parecem concordar nem sobre os termos do cessar-fogo, alinhar a pauta das negociações pode ser difícil.

Trump mencionou uma “proposta de 10 pontos do Irã”, que classificou como “uma base viável para negociação”.


No entanto, o Irã passou a divulgar uma lista de 10 pontos que inclui exigências consideradas inaceitáveis pelos EUA, como o reconhecimento do controle iraniano sobre o estreito de Ormuz, reparações de guerra e a suspensão de todas as sanções. Outras versões também mencionam o direito do país ao enriquecimento nuclear.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump se referia a uma proposta diferente, “mais razoável”.

Enquanto isso, Trump e sua equipe têm seu próprio plano de 15 pontos, ainda não divulgado integralmente. Ele incluiria compromissos do Irã de não desenvolver armas nucleares, entregar seu urânio altamente enriquecido, limitar suas capacidades de defesa e reabrir o estreito de Ormuz.

A principal questão agora é se as negociações conseguirão chegar a um meio-termo ou se irão fracassar, reacendendo um conflito que já causou destruição no Oriente Médio e provocou uma crise histórica no mercado global de petróleo.

O que está acontecendo no Líbano?

A inclusão do Líbano no cessar-fogo segue sendo um ponto de disputa que pode comprometer as negociações.

O Irã afirma repetidamente que a trégua inclui ataques contra o Hezbollah no Líbano, posição apoiada pelo Paquistão, que ajudou a mediar o acordo. Já Israel e os EUA dizem que o Líbano não está incluído.

Na quarta-feira (8), poucas horas após o início do cessar-fogo, Israel lançou sua maior onda de ataques no Líbano desde o início da guerra, atingindo bairros densamente povoados sem aviso prévio. Pelo menos 303 pessoas morreram e mais de 1.000 ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde libanês.

Os ataques provocaram forte reação internacional e indignação do Irã. Ghalibaf afirmou que o Líbano e os aliados iranianos são “parte inseparável do cessar-fogo” e que “o tempo está se esgotando”.

Críticas a Israel também vieram de diversas partes do mundo, incluindo potências europeias e do Golfo, preocupadas com o risco de colapso da trégua antes mesmo do início das negociações.

Vance disse que houve um “mal-entendido legítimo” sobre a inclusão do Líbano no cessar-fogo e sugeriu que Israel poderia “se conter um pouco” nos ataques.

E o estreito de Ormuz?

A reabertura dessa via marítima estratégica, que vem sendo praticamente bloqueada pelo Irã há semanas e causando impacto nos mercados globais de petróleo, também faz parte do acordo, segundo a Casa Branca.

No entanto, desde o cessar-fogo, apenas alguns navios conseguiram atravessar a região. Centenas de embarcações ainda estão retidas no golfo Pérsico, com milhares de tripulantes a bordo.

O Irã suspendeu o tráfego de petroleiros após ataques israelenses ao Líbano, segundo a agência Fars. Ghalibaf reforçou a posição, afirmando que “violações do cessar-fogo terão custos claros e respostas fortes”.

Vance reiterou que, se o Irã não cumprir a promessa de reabrir o estreito, o cessar-fogo será encerrado. Trump também alertou o país contra a cobrança de taxas de pedágio de navios petroleiros.

Negociações vão dar resultado?

Apesar das incertezas, autoridades americanas aceleraram os preparativos para o encontro, segundo fontes ouvidas pela CNN Internacional.

Se o Irã decidir se retirar, “seria uma decisão estúpida, mas é uma escolha deles”, disse Vance.

À NBC, Trump afirmou estar “muito otimista” com a possibilidade de um acordo de paz, dizendo que líderes iranianos parecem abertos ao diálogo em conversas privadas.

“Eles são muito mais razoáveis. Estão concordando com tudo o que precisam”, disse. “Lembrem-se, eles foram derrotados. Não têm forças militares.”

Já o discurso público do Irã é diferente: veículos estatais afirmam que o país obteve uma grande vitória ao resistir aos ataques de EUA e Israel e levar Washington à mesa de negociações.

Mesmo que as conversas avancem, ainda é incerto se as profundas divergências poderão ser resolvidas em apenas um fim de semana.

Segundo fontes envolvidas, o encontro deve ser o primeiro de várias rodadas intensas de negociações para tentar alcançar um acordo duradouro e encerrar a guerra.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.