Novo telescópio investigará alguns dos maiores mistérios da astronomia; entenda
Nancy Grace Roman, que promete ampliar a capacidade de observar o Universo, tem lançamento previsto para domingo (30)
Internacional|Do R7
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A Nasa se prepara para colocar no espaço um novo telescópio que promete ampliar significativamente a capacidade de observar o Universo. O Nancy Grace Roman tem lançamento previsto para domingo (30), a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
Nomeado em homenagem a Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da Agência americana, o novo observatório terá uma característica que chama atenção: seu campo de visão será pelo menos 100 vezes maior que o do Hubble.
Na prática, isso permitirá que Roman observe áreas muito maiores do céu em uma única operação. A expectativa da agência é que o telescópio consiga analisar a luz de cerca de 1 bilhão de galáxias ao longo de sua missão, produzindo uma quantidade gigantesca de dados para estudos astronômicos.
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De satélite espião a observatório espacial
Uma das particularidades do projeto está na origem de seu espelho principal. Com 2,4 metros de diâmetro, ele tem o mesmo tamanho do espelho primário do Hubble, mas pesa apenas cerca de 186 quilos graças a avanços tecnológicos.
O componente foi originalmente desenvolvido para o Escritório Nacional de Reconhecimento (NRO), agência americana responsável por satélites de reconhecimento. Em 2012, após o cancelamento de um programa de satélites espiões, dois telescópios foram disponibilizados para a Nasa. Um deles acabou incorporado ao projeto que posteriormente se transformaria no Roman.
Apesar da origem ligada à inteligência americana, a missão do equipamento será completamente diferente: investigar fenômenos cósmicos e ampliar o conhecimento sobre a formação e a evolução do Universo.
O Roman trabalhará principalmente com luz infravermelha, que não pode ser captada pelos olhos humanos. Esse tipo de observação permitirá atravessar regiões de poeira cósmica e estudar objetos extremamente distantes.
Entre os principais objetivos estão a investigação de alguns dos maiores mistérios da astronomia: da matéria escura, passando pela evolução das galáxias e chegando à formação de sistemas planetários. O observatório também deverá realizar um grande levantamento de exoplanetas, incluindo mundos que orbitam outras estrelas.
Para isso, uma das técnicas utilizadas será a microlente gravitacional, fenômeno que ocorre quando a gravidade de uma estrela altera e amplia temporariamente a luz de um objeto que está atrás dela. A partir dessas alterações, os cientistas podem identificar planetas que seriam difíceis de detectar por outros métodos.
O telescópio também contará com um coronógrafo, instrumento capaz de bloquear parte da intensa luz emitida por uma estrela. Com isso, os pesquisadores poderão tentar observar diretamente planetas gigantes que estejam próximos de suas estrelas e estudar discos de material onde novos planetas podem estar se formando.
A tecnologia poderá ainda servir como um passo importante para o desenvolvimento de técnicas que, no futuro, permitam estudar diretamente planetas rochosos semelhantes à Terra.
Após o lançamento, o Roman deverá seguir para uma região do espaço conhecida como ponto de Lagrange L2, localizada a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra. O Telescópio Espacial James Webb também opera nessa região.
A missão principal foi planejada para durar cinco anos, com possibilidade de extensão para até uma década. A construção do observatório envolveu mais de mil técnicos e engenheiros, responsáveis pela integração e pelos testes de milhões de componentes.
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