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Patriota vai conversar com chanceler britânico sobre detenção de brasileiro em Londres

Ministro das Relações Exteriores critica "desmandos e desvios" no combate ao terrorismo

Internacional|Da Agência Brasil

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David Miranda (direita) é companheiro do jornalista do diário inglês The Guardian Glenn Greenwald (esquerda)
David Miranda (direita) é companheiro do jornalista do diário inglês The Guardian Glenn Greenwald (esquerda) RICARDO MORAES/REUTERS

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse que vai conversar ainda nesta segunda-feira (19) com o chanceler britânico, William Hague, sobre a detenção do cidadão brasileiro David Miranda, por nove horas, no Aeroporto de Heathrow, em Londres.

Miranda é companheiro do jornalista do diário inglês The Guardian Glenn Greenwald, que noticiou sobre o esquema de espionagem do governo norte-americano.

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O ministro disse que a detenção do brasileiro por nove horas, com base em uma lei que se aplica a suspeitos de terrorismo, não é justificável.

"Espero que não volte a acontecer. Hoje mesmo deverei conversar com o chanceler William Hague, do Reino Unido", disse.

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Antes de conversar com a imprensa, Patriota havia criticado "desmandos e desvios" que vêm sendo cometidos em nome do combate ao terrorismo no mundo, durante discurso em cerimônia de homenagem a Sérgio Vieira de Mello, diplomata brasileiro que morreu há dez anos no Iraque. Patriota disse que o combate ao terror deve respeitar o direito internacional.

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Segundo Patriota, há vários exemplos de desmandos cometidos em nome do combate ao terrorismo, entre eles, "enquadrar pessoas mesmo sem justificativa alguma para que se haja suspeita de envolvimento com o terrorismo".

— Continuamos a assistir a alguns desmandos e desvios nessa questão do combate ao terrorismo. Reconhecemos que é um combate legítimo, que precisa ser articulado de forma a impedir que vidas inocentes sucumbam a atos de violência gratuita, mas também precisa se inspirar nos ideais de multilateralismo, direito internacional e racionalidade.

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Em discurso, o chanceler brasileiro criticou o uso indiscriminado de tecnologias militares, como os veículos aéreos não tripulados, que causam mortes de civis.

— A comunidade internacional assiste, com certa surpresa, às vezes, à atividade de veículos não tripulados que estão a serviço do combate ao terrorismo, mas também provocam um número elevadíssimo de vítimas civis inocentes, sem que haja um debate sistemático sobre isso.

Patriota aproveitou para defender a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, dizendo que a atual composição do conselho não está em "consonância" com a multilateralidade do mundo moderno.

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