Por que futuros pilotos de caça da Ucrânia estão aprendendo a voar sem GPS
Militares são treinados pela Força Aérea britânica para missões em ambientes com bloqueio de sinais
Internacional|Do R7
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Pilotos ucranianos em fase inicial de treinamento para operar caças F-16 estão aprendendo a voar sem depender totalmente de sistemas de GPS, em uma adaptação às condições impostas pela guerra eletrônica travada no conflito com a Rússia.
O treinamento ocorre no Reino Unido e busca preparar os futuros aviadores para um cenário em que interferências nos sinais de navegação se tornaram comuns no campo de batalha.
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Os pilotos fazem parte de um programa voltado à operação do caça americano F-16 Fighting Falcon, um dos aviões mais modernos atualmente utilizados pela Ucrânia. Desde as etapas básicas do curso, os participantes já são orientados a lidar com situações em que o GPS deixa de funcionar de maneira confiável devido ao bloqueio de sinais promovido pelas forças russas.
Durante entrevista ao site Business Insider na cerimônia de formatura da turma realizada na semana passada, um dos pilotos ucranianos, cuja identidade foi preservada por motivos de segurança, afirmou que aprender a voar em baixa altitude sem depender totalmente da navegação por GPS é “muito importante”. Segundo ele, a necessidade é imediata para a Ucrânia, já que o bloqueio eletrônico russo afeta diretamente os sistemas de navegação usados em combate.
O piloto explicou que, diante das interferências eletrônicas, os aviadores precisam recorrer a métodos mais tradicionais de orientação, utilizando mapas e referências visuais do terreno, como rios e montanhas. Essas técnicas fazem parte das instruções ministradas pela Royal Air Force (RAF), a Força Aérea do Reino Unido, ao longo do treinamento.
A guerra eletrônica se consolidou como um dos elementos centrais do conflito entre Ucrânia e Rússia. Ambos os lados utilizam equipamentos capazes de interferir em sinais de comunicação, navegação e orientação de armas. O impacto dessas ações se estende não apenas aos aviões de combate, mas também a drones e outros sistemas militares.
O avanço desse tipo de combate levou ao desenvolvimento de novas soluções tecnológicas e mudanças táticas. Entre elas estão drones resistentes a interferências, controlados por cabos de fibra óptica, além de adaptações operacionais feitas tanto por tropas terrestres quanto por pilotos militares.
As interferências em sistemas de GPS também ultrapassaram a zona de guerra. Países da Otan localizados próximos ao Mar Báltico acusaram a Rússia de provocar distúrbios eletrônicos que afetaram comunicações aéreas e marítimas na região do Leste Europeu.
Mais de 50 ucranianos já concluíram o curso básico conduzido pela RAF. O treinamento inclui aulas de inglês e instruções iniciais de voo em uma base britânica antes de os pilotos seguirem para etapas mais avançadas de formação em outros países. Posteriormente, eles serão direcionados para o treinamento específico nos F-16.
Segundo o marechal do ar Harvey Smyth, chefe da Força Aérea britânica, embora essa fase do treinamento seja voltada aos fundamentos da aviação, os pilotos já recebem uma introdução às táticas de combate usadas em caças de alta performance. Para Smyth, o objetivo é construir a base necessária para as etapas seguintes da formação.
A Ucrânia recebeu os primeiros F-16 em 2024, dentro de uma iniciativa apoiada por aliados da Otan para modernizar a frota aérea do país, baseada principalmente em antigos modelos soviéticos Sukhoi e MiG. Os caças têm sido empregados sobretudo em missões de defesa aérea, interceptando mísseis e drones russos durante bombardeios em larga escala, além de operações de ataque de precisão a longa distância.
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