Por que o Reino Unido está incentivando população a estocar comida
Autoridades demonstram preocupação com o aumento dos riscos de desastres naturais, conflitos armados e ataques cibernéticos
Internacional|Do R7
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O governo do Reino Unido lançou uma campanha para incentivar a população a manter em casa suprimentos suficientes para sobreviver por pelo menos 72 horas em situações de emergência. A recomendação inclui alimentos não perecíveis, água potável, medicamentos e itens básicos de higiene, em meio à preocupação das autoridades com o aumento dos riscos de desastres naturais, conflitos armados e ataques cibernéticos.
Chamada de “Be Ready” (“Esteja preparado”, em tradução livre), a iniciativa orienta os britânicos a organizar reservas domésticas que permitam enfrentar períodos de interrupção no abastecimento, falta de energia ou indisponibilidade de sistemas de pagamento.
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Entre as principais recomendações está manter nove litros de água engarrafada por pessoa, quantidade estimada para três dias, além de alimentos que possam ser armazenados por longos períodos, como carnes enlatadas e frutas secas.
A lista também inclui produtos de higiene, roupas quentes, cobertores, sacos de dormir, lanternas com pilhas, carregadores portáteis para celulares e um rádio FM. O governo recomenda ainda guardar dinheiro em espécie, cartões, cópias de documentos de identificação e informações médicas importantes, como as doses de medicamentos de uso contínuo.
Famílias com crianças pequenas devem considerar fórmulas infantis prontas para consumo e fraldas. Quem tem animais de estimação também é orientado a reservar comida e água para os bichos.
Segundo o Business Insider, a campanha foi apresentada como uma forma de aumentar a capacidade de resposta das famílias diante de acontecimentos inesperados. A orientação é que os moradores montem os estoques aos poucos, aproveitando as compras habituais, e verifiquem os produtos a cada seis meses para substituir aqueles que estiverem vencidos.
Ameaças naturais, digitais e militares
A iniciativa foi anunciada em um cenário de preocupação com diferentes tipos de emergência. No fim de semana anterior à divulgação da campanha, cerca de 400 mil residências britânicas ficaram sem energia em algum momento após a passagem de duas tempestades consecutivas pelo norte da Europa.

Outro episódio recente envolveu uma falha grave de segurança em uma linguagem de programação de código aberto amplamente utilizada na internet. O problema levou órgãos governamentais e empresas de diferentes países a retirar temporariamente alguns sites do ar, segundo o Business Insider.
O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, afirmou que incidentes desse tipo podem se tornar mais frequentes e destacou que as ameaças não se limitam a ações de governos estrangeiros. Segundo ele, grupos criminosos organizados também representam um risco.
As autoridades britânicas têm reforçado, ainda, os alertas sobre a possibilidade de uma escalada militar na Europa. Em declaração ao jornal The Telegraph, Streeting afirmou que a capacidade dos adversários de causar danos aumentou e alertou para a possibilidade de que, até 2030, o fortalecimento das forças militares e das economias voltadas à guerra possa ampliar o risco de um ataque.
O ministro também declarou que o país teria cerca de mil dias para se preparar para um eventual conflito. A campanha de preparação doméstica integra os esforços para aumentar a capacidade de resposta da população diante de possíveis interrupções nos serviços essenciais.
O governo, porém, pede que a iniciativa não seja interpretada como motivo para pânico. A proposta é adotar medidas preventivas simples para que as famílias consigam lidar temporariamente com situações em que o acesso a alimentos, água, energia ou outros serviços fique comprometido.
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