Premiê australiano diz que pedofilia é 'tragédia nacional'
Comissão apresentou estudo sobre abusos em instituições
Internacional|ANSA Brasil

O primeiro-ministro da Austrália, Malcolm Turnbull, classificou como uma "tragédia nacional" o relatório apresentado pela Comissão de Investigação sobre a Pedofilia no país, que ouviu mais de oito mil vítimas de abusos sexuais. "O relatório revelou uma tragédia nacional. Agradeço aos membros da comissão e aqueles que tiveram a coragem de relatar suas histórias", disse em pronunciamento oficial nesta sexta-feira (15).
O presidente do grupo, Peter McClellan, advertiu que as revelações "não se tratam de problemas do passado".
"Por muitas décadas, as instituições traíram nossas crianças. Os sistemas de proteção da infância e a Justiça civil os abandonaram. A polícia se negou, na maioria das vezes, em crer nas crianças e investigar as suas denúncias. Já o sistema de Justiça penal criou muitas barreiras para os processos", disse McClellan ao apresentar o relatório.
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Instaurada em 2013, ainda durante o governo da premier Julia Gillard, a Comissão de seis pessoas recolheu depoimentos em seis estados e dois territórios da Austrália, tendo intimado pessoas e feito a divulgação de 1,2 milhão de documentos. Eles identificaram mais de quatro mil instituições onde os crimes foram cometidos.
Cerca de 2,6 mil pessoas foram denunciadas à Polícia e outras autoridades e foram iniciadas 230 ações penais.
O documento revelou uma série de abusos dentro de instituições, como igrejas, escolas e clubes esportivos, ao longo das últimas décadas.
Os membros da comissão ouviram mais de 15 mil pessoas, sendo oito mil vítimas de abusos e ainda fizeram cerca de 400 recomendações para as entidades, incluindo a Igreja Católica no país.
De todas as vítimas, 60% delas reportaram que os abusos ocorreram dentro de instituições religiosas, sendo a maioria abusadas por padres e religiosos católicos. Segundo a Comissão, a Igreja Católica na Austrália demonstrou "falhas catastróficas de liderança", especialmente, antes dos anos 1990.
Entre as principais recomendações do grupo para a Igreja, está o pedido para que seja relaxado o chamado "segredo de confissão".
De acordo com a comissão, se um padre ouvir uma confissão que indique um abuso sexual de menores, deve reportar imediatamente à polícia. Eles ainda pediram que o "voto de castidade" seja voluntário porque, conforme o grupo, ele favorece aos abusos.
Já para o governo, a Comissão pediu que seja instituído um novo crime na Constituição para facilitar os procedimentos penais em casos em que as instituições falhem em proteger as crianças e que o governo crie o Escritório Nacional para a Segurança dos Menores, com um site e uma linha telefônica exclusiva para a denúncia de crimes.









