Premiê da Dinamarca renuncia ao cargo após vitória da oposição
Rasmussen apresentou carta de renúncia à rainha logo após anunciar o resultado das eleições que derrubaram o governo conservador do país
Internacional|Da EFE

O primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, apresentou nesta quinta-feira (6) sua renúncia do governo liberal-conservador que dirige a Dinamarca desde 2015, após a vitória da oposição de centro-esquerda nas eleições gerais.
O bloco opositor obteve 91 cadeiras, uma a mais do que as necessárias para a maioria absoluta, contra 75 do bloco governista, por isso que não vai precisar recorrer à Alternativa, uma força ecologista de centro, nem a nenhum dos quatro deputados dos territórios autônomos das Ilhas Faroe e da Groenlândia.
"Acabo de informar à rainha (Margarida II) sobre o resultado das eleições de ontem, que representa que meu governo não tem maioria. E por isso apresentei a renúncia", disse o já primeiro-ministro interino ao sair do Palácio Real de Amalienborg.
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Como tinha anunciado ontem à noite, Rasmussen reiterou sua oferta de liderar um governo de centro com os sociais-democratas — que teriam maioria absoluta —, apesar de seu partido não ter sido o mais votado, mas sim o que mais cresceu, junto com o social-liberal.
A proposta foi rejeitada pela líder social-democrata, Mette Frederiksen, o que fez Rasmussen aceitar que ela deve receber a incumbência de tentar formar governo, uma vez finalizada a rodada de consultas da rainha com os líderes dos dez partidos que conseguiram representação parlamentar.
Mette, que com 41 anos poderia se tornar a primeira-ministra mais jovem da história da Dinamarca, insistiu após a vitória nas eleições que quer governar sozinha, pactuando com a direita a política de imigração e, com seus aliados de centro-esquerda, a linha econômica e os temas sociais.
Os líderes dos outros três partidos do bloco de centro-esquerda reiteraram o apoio a Mette para que seja escolhida primeira-ministra e pediram concessões nas políticas climáticas, de bem-estar e na área de imigração, no caminho contrário à linha dura estabelecida nos últimos quatro anos.
As eleições de quarta-feira constataram a queda do xenofóbico Partido Popular Dinamarquês (DF), que perdeu mais da metade das cadeiras e votos, caindo para o terceiro lugar e ficando com 8,8%.
O DF apoiou desde 2001 todos os governos de direita dinamarquesa, impondo uma dura linha em imigração que até os sociais-democratas assumiram como sua na última legislatura.









