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Protestos contra terroristas do Hamas sinalizam desejo por mudança, dizem especialistas

Manifestação no norte da Faixa de Gaza contou com a presença de centenas de palestinos e já é considerada a maior desde 2023

Internacional|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília

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Manifestantes protestam contra Hamas ao norte de Gaza Reprodução/RECORD/25.03.2025

A onda de protestos contra o grupo terrorista Hamas nesta semana potencializa-se como uma virada de chave no contexto da guerra na Faixa de Gaza, avaliam especialistas ouvidos pelo R7. Na terça-feira (25), centenas de palestinos ocuparam o norte da Faixa de Gaza contra o Hamas, que controla o território desde 2007. As manifestações já são consideradas as maiores desde que o grupo invadiu Israel, em outubro de 2023. Segundo os especialistas, a movimentação social é positiva e mostra um desejo de mudança por parte da população, apesar do medo de retaliação.

Especialista em direito internacional, Pablo Sukiennik explica que há diferentes linhas ideológicas e políticas na Palestina e que, apesar de o Hamas contar com o apoio de parte da população, existe também uma maioria que se omite por medo de agressões e represálias.


“Para cada pessoa que manifestou, há várias outras que gostariam, mas estão com medo. O fato de que um grupo significativo de pessoas tenha se sentido à vontade para poder manifestar sua oposição ao Hamas, sem dúvida, é uma coisa positiva e mostra à sociedade internacional que os palestinos não são esse grupo monolítico, muitas vezes considerado agressivo, terrorista, que é uma imagem que transita entre nós”, afirma.

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Ele ressalta que existem setores a favor e contra o grupo extremista, mas não há claridade das proporções de cada um. “O Hamas é um grupo terrorista que não respeita regras, um grupo muito agressivo. Então, qualquer pessoa ficaria com medo de se manifestar”, completa.


Segundo a imprensa israelense, o protesto de terça se espalhou por outras regiões. Em Jabalia, cidade ao norte de Gaza, manifestantes pediram o fim da guerra e da ditadura do Hamas.

O advogado e cientista político Nauê Bernardo Pinheiro de Azevedo reitera que o fato de existirem tensões com determinadas partes desse grupo étnico não significa que todos os palestinos concordem com tudo que é feito pelo Hamas.


Na avaliação dele, as manifestações evidenciam as complexidades do cenário político na região. A ascensão do grupo ao poder, segundo ele, ocorreu devido a fatores contextuais e factuais específicos.

“Quando você tem um cenário de agressão mútua, de guerra, acaba acontecendo uma transformação até bastante radical nesse cenário, que pode ou fortalecer ou enfraquecer o grupo”, explica.


Para o especialista, é “natural” que existam levantes e questionamentos qualificados a respeito da condução dos rumos do povo pelo grupo que assumiu o poder.

“É fato que existe um nível muito grande de mortalidade de palestinos e que várias das pessoas que sobreviveram estão sendo deslocadas do local onde nasceram, cresceram e têm uma perspectiva muito sombria de futuro”, completou.

Levante de comunidade adormecida

A professora de direito internacional da USP (Universidade de São Paulo) Maristela Basso explica que as manifestações refletem um descontentamento crescente, indicando que parte da população palestina busca distanciar-se das estratégias do grupo e deseja uma alternativa política voltada para a paz e a reconstrução.

“Agora, parece que eles acordaram de um pesadelo e começaram a fazer frente aos que apoiam o Hamas, dizendo: ‘Nós não queremos isso mais’. Existe uma comunidade que quer a paz, que acredita na coexistência de dois países independentes, que quer viver pacificamente e acabar com esse mundo do terror. Então, é muito importante. Se levanta uma comunidade adormecida”, ressalta.

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