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Quem é a condenada que pode ser a primeira mulher executada em 200 anos em estado nos EUA

Christa Pike foi julgada pelo assassinato de jovem de 19 anos e está no corredor da morte há mais de três décadas no Tennessee

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Christa Pike foi condenada à morte em 1996 pelo assassinato de Colleen Slemmer em Knoxville, Tennessee, quando tinha 18 anos.
  • A defesa de Pike argumenta que abusos na infância e problemas de saúde mental não foram devidamente considerados no julgamento.
  • Apesar de sucessivos recursos, o Supremo Tribunal do Tennessee e o governador Bill Lee mantiveram a sentença de execução.
  • Se executada, Christa será a primeira mulher a receber pena de morte no Tennessee desde 1820.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Christa Pike teve sua execução marcada para 30 de setembro Reprodução/Tennessee Department of Correction

Christa Pike tinha 18 anos quando foi condenada por um assassinato em Knoxville, no Tennessee, nos Estados Unidos. Mais de três décadas depois, aos 50, ela continua no corredor da morte e teve sua execução marcada para esta quarta-feira, 30 de setembro.

Pike foi responsabilizada pela morte de Colleen Slemmer, de 19 anos, sua colega no Knoxville Job Corps, um centro de treinamento profissional para jovens. O crime aconteceu em 1995 e envolveu também o então namorado de Christa, Tadaryl Shipp, que tinha 17 anos na época.

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Segundo a acusação, Christa acreditava que Colleen era uma rival amorosa e a levou para uma área isolada. A jovem foi torturada e ferida com um estilete antes de morrer. Shipp admitiu ter também gravado um pentagrama no corpo da vítima.

Testemunhas afirmaram posteriormente que Pike teria se gabado do assassinato e mostrado um fragmento do crânio de Colleen. Ela foi condenada à morte em 1996. Shipp recebeu prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional, enquanto um terceiro adolescente envolvido no caso recebeu liberdade condicional após admitir participação como cúmplice.

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Apesar de não negar sua participação no crime, os advogados de Pike passaram a contestar a pena de morte ao longo dos anos. A defesa argumenta que circunstâncias de sua infância e problemas de saúde mental deveriam ter sido considerados no julgamento.

Infância marcada por violência

Informações sobre a infância de Christa Pike vieram à tona com mais detalhes durante as décadas de recursos judiciais. Segundo avaliações apresentadas posteriormente por sua defesa, ela cresceu em um ambiente marcado por abandono, negligência e abusos físicos e sexuais.

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Uma avaliação realizada em 1995 pela psicóloga forense Diana McCoy apontou que Pike havia sofrido abusos por diferentes homens ligados à família. Segundo o relatório, ela foi estuprada aos 11 e aos 17 anos e também teria sofrido abusos sexuais durante a infância.

A defesa afirma que essas informações não foram apresentadas de maneira adequada aos jurados durante o julgamento. Anos depois, novas avaliações identificaram transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático. Pike recebeu diagnóstico de transtorno bipolar em 2021 e passou a ser medicada na prisão.

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Os advogados sustentam que a combinação entre a idade de Pike na época do crime, o histórico de abusos e os problemas de saúde mental deveria ter sido levada em consideração na aplicação da pena. A defesa também argumenta que, diante do conhecimento atual sobre o desenvolvimento de adolescentes e jovens adultos, uma pessoa nas mesmas circunstâncias poderia receber tratamento jurídico diferente.

Em uma declaração incluída em um pedido de clemência, Pike reconheceu a gravidade do assassinato e afirmou ter levado anos para compreender plenamente as consequências de seus atos.

“Eu era uma jovem de 18 anos com problemas mentais. Levei muitos anos para sequer perceber a gravidade do que havia feito. E ainda mais para aceitar quantas vidas eu afetei”, afirmou.

Mais de 30 anos no corredor da morte

Desde a condenação, Christa Pike passou mais de três décadas no corredor da morte. Seus advogados apresentaram sucessivos recursos na tentativa de modificar a sentença, mas as decisões judiciais mantiveram a condenação.

O Supremo Tribunal do Tennessee rejeitou recentemente um pedido para suspender a execução. Antes disso, um tribunal federal havia concluído que os jurados já tinham recebido informações sobre as dificuldades enfrentadas por Pike na infância e que as novas evidências relacionadas a transtornos mentais e possíveis danos cerebrais não seriam suficientes para alterar o resultado do julgamento.

O governador do Tennessee, Bill Lee, também decidiu não conceder clemência. Os advogados de Pike continuam tentando impedir a execução, marcada para esta quarta-feira.

Caso a sentença seja cumprida, Christa será a primeira mulher executada no Tennessee desde 1820, segundo o Centro de Informações sobre a Pena de Morte. A execução de mulheres é rara nos Estados Unidos: desde 1976, 18 mulheres foram executadas no país, aproximadamente 1% do total.

Pike afirmou em uma carta que está “em paz” diante da possibilidade de morrer e disse não ter medo da execução. Ela também pediu que familiares e pessoas próximas não acompanhem o procedimento.

A mãe de Colleen, May Martinez, defende que a sentença seja cumprida, considerando a execução uma forma de encerramento para a família.

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