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Resolução da ONU sobre a Palestina é desafio para EUA e Israel

Os dois países criticaram duramente votação da Assembleia Geral das Nações Unidas

Internacional|Do R7, com AFP

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Os diplomatas Ron Prosor, de Israel, e Susan Rice, representante dos EUA na ONU
Os diplomatas Ron Prosor, de Israel, e Susan Rice, representante dos EUA na ONU JOHN MOORE/AFP

A Assembleia Geral das Nações Unidas concedeu nesta quinta-feira (29) o status de Estado observador à Palestina, em uma importante vitória diplomática do presidente Mahmud Abbas contra a posição de Estados Unidos e Israel.

Do total de 188 votos na Assembleia Geral da ONU, 138 países aprovaram o novo status, 9 rejeitaram e 41 se abstiveram.


Este novo status internacional constitui uma grande vitória diplomática, mas expõe as autoridades palestinas a represálias econômicas por parte de Estados Unidos e Israel.

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Imediatamente após a votação, Washington alertou que "a decisão equivocada e contraproducente cria mais obstáculos no caminho da paz". "Por este motivo, os Estados Unidos votaram contra", destacou a diplomata americana na ONU, Susan Rice.

"Os grandes anúncios de hoje logo passarão e o povo palestino despertará amanhã vendo que pouco mudou em suas vidas, exceto pela redução das perspectivas de uma paz duradoura", disse Rice. "Esta resolução não estabelece que a Palestina é um Estado".


O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, condenou severamente o discurso pronunciado por Mahmud Abbas, que precedeu a decisão da Assembleia Geral.

— A ONU escutou este discurso repleto de propaganda mentirosa contra o Tsahal (Exército hebreu) e contra os cidadãos de Israel.

"A decisão da ONU não mudará nada. Não haverá um Estado palestino sem acordos que garantam a segurança dos cidadãos de Israel. Ao apresentar sua petição à ONU, os palestinos violaram seus acordos com Israel e isto terá consequências".

Netanyahu se referiu aos acordos de Oslo (1993), que preveem a criação de um Estado palestino como resultado de negociações de paz entre israelenses e palestinos, e não de uma iniciativa unilateral.

Israel ameaça bloquear os impostos que o país arrecada em nome da Autoridade Palestina, reduzir o número de permissões de trabalho para os palestinos e inclusive abolir os acordos de paz de Oslo de 1993 diante do novo status.

Abbas qualificou a decisão como uma "certidão de nascimento" do Estado palestino, e estimou que "o reconhecimento das Nações Unidas é a última oportunidade de paz com Israel".

"Não estamos aqui para complicar o processo de paz [...] e sim para tentar um último esforço sério para obter a paz [...]. Mas acima de tudo, nosso povo não renunciará a seus direitos inalienáveis, definidos pelas resoluções" das Nações Unidas, disse Abbas antes da votação.

No mesmo discurso, Abbas fez referências à "recente agressão israelense" contra a Faixa de Gaza, afirmando que o Exército hebreu se comportou de "maneira bárbara e horrível".

— Chegou o momento de o mundo dizer claramente: basta de agressão, de colônias, de ocupação.

O novo status de Estado observador permitirá à Palestina fazer parte de muitas organizações e tratados internacionais, como o Tribunal Penal Internacional (TPI) ou a Quarta Convenção de Genebra sobre a Proteção dos Direitos Civis.

Em Ramallah, sede da Autoridade Palestina, a população festejou o novo status com tiros para o alto e gritos de "Allah Akbar" (Deus é grande).

O movimento radical palestino Hamas, no poder na Faixa de Gaza, comemorou "esta nova vitória no caminho da libertação da Palestina".

Segundo Ahmed Youssef, dirigente em Gaza, o Hamas "considera a decisão da ONU como uma vitória unitária que suscita júbilo em todo povo palestino".

O Brasil felicitou a Palestina por seu novo status de Estado observador e reafirmou seu "apoio à retomada imediata das negociações entre Israel e Palestina visando o estabelecimento de uma paz sustentável e duradoura baseada na solução ode dois Estados".

O presidente francês, François Hollande, pediu a retomada das negociações entre palestinos e israelenses "sem condições e o mais rapidamente possível", logo após a votação na Assembleia Geral.

Paris justificou seu voto a favor do novo status palestino "por coerência com o objetivo de dois Estados convivendo em paz e segurança, afirmado em 1947".

"O diálogo direto é a única via para se conseguir uma solução definitiva para o conflito. A França está disposta a contribuir para isto, como amiga que é ao mesmo tempo de Israel e da Palestina", declarou o chefe de Estado francês.

A Grã-Bretanha, que se absteve na votação, destacou que "respeita o plano de ação escolhido pelo presidente Abbas e a decisão da Assembleia Geral da ONU".

O chefe da diplomacia britânica, William Hague, pediu a Israel que "evite reagir de um modo que impeça o processo de paz e que retorne às negociações".

O Vaticano destacou que a decisão da Assembleia Geral "exprime os sentimentos da maioria dos membros da comunidade internacional e concede aos palestinos uma presença mais significativa no seio da ONU". "A paz necessita de decisões corajosas".

No mesmo comunicado, o Vaticano lembra a "posição comum da Santa Sé e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) sobre o acordo fundamental de 15 de fevereiro de 2000 para o reconhecimento de um status especial internacional para a cidade de Jerusalém".

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