Reunião de líderes sobre a Grécia tenta evitar o fim da união monetária europeia
Por outro lado, volta atrás nas exigências de austeridade deverá abrir precedente
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

A reunião entre os chefes de estado e de governo dos países do euro, nesta terça-feira (7), em Bruxelas, às 13h (17h de Brasília), para analisar a situação da Grécia na zona do euro, colocará na mesa a realidade da união monetária no continente.
Desde o último domingo (5), quando a população grega rejeitou a política de austeridade da União Europeia para o país, será o quinto encontro de emergência realizado por organismos europeus para avaliar a situação.
Ao aceitar uma série de exigências do governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras, o bloco estará voltando atrás em suas rígidas diretrizes impostas aos gregos para o financiamento da dívida local. E poderá abrir um precedente histórico que colocará em xeque até mesmo a existência de uma moeda única no continente, conforme afirmou o economista Adriano Gomes, professor do Curso de Administração da ESPM, em São Paulo.
É isso que deverá ocorrer nesta reunião, segundo ele. Para Gomes, o governo grego irá ceder apenas um pouco, em termos de redução de gastos sociais, para não ter que sair da zona do euro. Já os líderes da União Europeia deverão deixar bem mais flexíveis as antes rígidas exigências de uma austeridade fiscal, o que trará consequências, na visão do professor.
— Em outros países, já se começa a pensar em uma iniciativa similar à da Grécia, com vistas a manter uma moeda controlada pelo governo da própria nação, e não governada sob as diretrizes de um bloco. São os casos de Portugal, Espanha e, em uma segunda etapa, a Itália e a própria França, que hoje é um ator importante na tentativa de conciliação com a Grécia.
Gomes vê algumas diferenças entre questões políticas e econômicas que acabaram se misturando no cenário europeu após a Segunda Guerra Mundial e se intensificaram nos últimos anos.
Segundo ele, a questão da Grécia, que nem é uma economia nuclear dentro da Europa, carrega mensagens importantes. Desnuda, por exemplo, a realidade da Alemanha e da França neste cenário. E revela o quanto a intenção de uma união política baseada em uma unificação monetária pode não passar de um sonho.
— Trata-se de uma questão política e econômica. Do ponto de vista político, a França, que não anda tão bem das pernas em termos econômicos, é um ator importante. A Alemanha, por sua vez, tem peso econômico preponderante mas não pode aparecer como ator intransigente. Por isso coloca a França como protagonista, apesar de a França também ser dependente em parte da irrigação de capital vinda da Alemanha.
Nesta segunda-feira (6), a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, se reuniram e deixaram as portas abertas para uma nova proposta da Grécia para a renegociação da dívida.
O professor acredita que é inviável unir economias distintas em um objetivo único. Ele considera que tal situação geral desequilíbrios. E que o caso da Grécia poderia ser um exemplo de conciliação de interesses, seguindo o modelo da Inglaterra, que está integrada em uma união alfandegária (exportações e importações praticamente livres) sem se atrelar a uma união monetária.
— Esta união monetária na Europa tenta complementar economias que são concorrentes, com interesses antagônicos. Não há como um Estado não ter o controle de sua moeda.
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O resultado do plebiscito mostrou que a população grega está ao lado do primeiro-ministro do país, Alexis Tsipras. Mas ele já deu sinais de que pretende fazer uma nova proposta que contemple também os interesses do bloco. A dívida da Grécia ultrapassa o R$ 1 trilhão (320 bilhões de euros) e tornou o país inviável economicamente, já que representa mais que o dobro do PIB anual (177%).
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Com pouca liquidez (dinheiro em circulação) e sem pagar a última parcela da dívida com o FMI, a Grécia se mantém em estado de calote. Os bancos continuam fechados e, até a próxima quinta (9), não há previsão de que irão reabrir, para impedir uma provável fuga de capital do país.
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