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SAC secular: 1ª reclamação de cliente foi escrita há quase 4.000 anos; veja

Tabuleta de argila de 3.767 anos, encontrada no Iraque, revela queixa de cliente insatisfeito com a má qualidade de cobre

Internacional|Do R7

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • A mais antiga reclamação do mundo foi escrita por Nanni, cliente insatisfeito, há cerca de 3.767 anos na Mesopotâmia.
  • A queixa, gravada em uma tabuleta de argila, critica a má qualidade do cobre fornecido pelo comerciante Ea-Nasir.
  • Nanni relata desprezo durante a transação e ameaça mudar suas condições de compras no futuro.
  • A tabuleta, considerada importante na história, está preservada no Museu Britânico desde 1953.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Tabuleta de argila com primeira reclamação escrita da história Divulgação/Museu Britânico

Imagine receber um produto de má qualidade e decidir escrever uma reclamação formal. Agora, imagine que essa reclamação é gravada em uma tabuleta de argila, há quase 4.000 anos, na antiga Mesopotâmia.

Parece história de outro mundo, mas é exatamente o que aconteceu com Nanni, um cliente insatisfeito que, por volta de 1.750 a.C., registrou sua indignação contra o comerciante Ea-Nasir.


A queixa, considerada a mais antiga do mundo pelo livro dos recordes Guinness, foi descoberta no início do século 20 e hoje está preservada no Museu Britânico, em Londres, no Reino Unido.

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A história começa na cidade de Ur, no atual sul do Iraque, onde arqueólogos encontraram, durante escavações no início do século 20, a casa de Ea-Nasir, um comerciante de cobre da poderosa guilda Alik Tilmun.


Entre seus pertences, estavam várias tabuletas de argila com mensagens de clientes furiosos, mas uma delas se destacou: a reclamação de Nanni, escrita em acádio, no sistema cuneiforme, com 11,6 centímetros de altura.

Traduzida pelo assiriólogo A. Leo Oppenheim no livro “Cartas da Mesopotâmia” (1967), a tabuleta revela a frustração de Nanni com a má qualidade do cobre entregue por Ea-Nasir. “Você prometeu lingotes de cobre de qualidade, mas enviou material ruim”, escreveu ele.


Nanni ainda acusou o comerciante de tratar seu mensageiro com desprezo, dizendo: “Se quiser levar, leve; se não quiser, vá embora!”.

A indignação não para por aí. Nanni relata que sua prata, usada como pagamento, foi retida, e seus mensageiros enfrentaram territórios hostis sem receber o prometido.


“Quem sou eu para você me tratar com tanto desprezo? E isso que somos cavalheiros!”, disparou. No final, ele faz uma ameaça firme, mas educada. “A partir de agora, só aceitarei cobre de boa qualidade e irei pessoalmente selecionar as barras em meu quintal”.

Como se escrevia uma reclamação há 4.000 anos?

Naquela época, nada de e-mails ou redes sociais. A escrita cuneiforme, considerada uma das mais antigas da história, surgiu por volta de 3500 a.C. em Uruk, na Mesopotâmia.

Escribas usavam estiletes de junco para fazer marcas em forma de cunha em tábuas de argila úmida, que, ao secar ou serem cozidas, tornavam-se resistentes. Esse método permitiu que a reclamação de Nanni chegasse até nós, quase quatro milênios depois.

Enquanto isso, no Egito, os hieróglifos, surgidos pouco depois, eram escritos em papiro, um material mais leve e portátil. Mas, na Mesopotâmia, a argila era a escolha para registros comerciais, legais e religiosos, garantindo durabilidade.

Na Mesopotâmia, registros escritos eram essenciais para o comércio e a aplicação de leis. O Código de Hamurabi, de 1.754 a.C., por exemplo, trazia regras rígidas para transações comerciais.

A Lei nº 107 do código determinava que um comerciante que fraudasse um agente deveria pagar seis vezes o valor original. Já a Lei nº 7 alertava que comprar sem testemunhas ou contrato poderia resultar em punições severas, como a pena de morte.

A tabuleta de Nanni, adquirida pelo Museu Britânico em 1953, não revela o desfecho da disputa com Ea-Nasir. Mas ela prova que a insatisfação com serviços e produtos é uma constante na história da humanidade.

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