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Saiba quais países já aderiram ao Conselho da Paz de Trump

Órgão propõe ‘promover estabilidade, paz e governança em áreas de conflito’; líderes temem ameaça ao trabalho da ONU

Internacional|Helen Regan e Kara Fox, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Donald Trump estabeleceu o "Conselho da Paz" para promover estabilidade em áreas de conflito, mas enfrenta dificuldades para atrair aliados ocidentais.
  • Os primeiros países a aderirem incluem Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Egito, e até Belarus, liderado pelo conhecido "último ditador da Europa".
  • Críticas surgiram sobre o potencial do conselho substituir a ONU e sua estrutura, com preocupações sobre corrupção e legitimidade.
  • Na cerimônia de adesão em Davos, a presença de líderes foi limitada, destacando a ausência de muitos aliados europeus e a rejeição de países como o Reino Unido e a França.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

“Tenho algumas pessoas controversas nisso”, disse Trump após críticas a convites de líderes autoritários Nathan Posner/Anadolu/Getty Images via CNN Newsource

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está tendo dificuldades para atrair aliados ocidentais para seu Conselho da Paz. Até agora, ele conseguiu o apoio de monarcas do Oriente Médio, do homem conhecido como o último ditador da Europa e de pelo menos um líder procurado por supostos crimes de guerra.

Trump convidou dezenas de países para se juntarem ao conselho que busca resolver conflitos globais, mas seu escopo alarmou vários aliados dos EUA, assim como o comentário do líder americano de que ele “poderia” substituir as Nações Unidas.


O conselho, presidido indefinidamente por Trump, foi originalmente concebido como um órgão limitado encarregado de supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, devastada pela guerra de dois anos travada por Israel. No entanto, seu propósito se expandiu para abordar conflitos em todo o mundo, e a minuta da carta, enviada com os convites para adesão, sequer menciona Gaza.

Os adversários dos EUA, Rússia e China, bem como o antigo Estado repressivo de Belarus, estão entre os convidados a se juntarem ao conselho, que oferece assentos permanentes por um custo de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,3 bilhões). Aliados europeus, estados árabes ricos em petróleo do Golfo Pérsico, ex-repúblicas soviéticas e até o Papa também receberam convites para participar.


Mas uma cerimônia de assinatura à margem do Fórum Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos, contou com a presença de menos de 20 países — a maioria do Oriente Médio, Ásia e América do Sul —, bem menos do que os cerca de 35 previstos por um alto funcionário do governo a jornalistas no início desta semana. Líderes europeus estavam visivelmente ausentes. A única nação da Europa Ocidental representada foi a Hungria, um dos aliados mais próximos da Rússia na Europa.

Aqui está o que você precisa saber sobre o Conselho, quem está participando e quem não está.


O que é o Conselho da Paz?

Trump havia inicialmente proposto o Conselho da Paz como parte da segunda fase do plano de cessar-fogo de 20 pontos para Gaza, mediado pelos EUA, em setembro.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas apoiou o plano em novembro — conferindo-lhe legitimidade internacional — com um mandato para que o Conselho supervisionasse a desmilitarização e a reconstrução de Gaza.


Mas Trump tinha planos de longo prazo. A minuta da carta constitutiva, obtida pela CNN Internacional, descreve o Conselho da Paz como uma “organização internacional” que promove a estabilidade, a paz e a governança “em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos”.

De acordo com a carta constitutiva, Trump atuará como presidente do conselho por tempo indeterminado, podendo permanecer no cargo além de seu segundo mandato como presidente.

O Conselho da Paz ficará acima de um “Conselho Executivo fundador” que inclui o genro de Trump, Jared Kushner, o Secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Em seu discurso na cerimônia em Davos, na quinta-feira, Kushner reconheceu desde o início que “a paz é um acordo diferente de um acordo comercial”.

Kushner afirmou que o “plano diretor” do governo para a reconstrução de Gaza “não tem um plano B” além de seu esforço multifacetado para acabar com a guerra e transformar a região.

O genro do presidente enfatizou que grande parte desse plano depende da desmilitarização do grupo terrorista Hamas. Ele prometeu que os EUA “vão fazer cumprir” essa parte do acordo de cessar-fogo, sem fornecer detalhes.

Mas uma série de slides com imagens compostas de arranha-céus futuristas, novas estradas e infraestrutura energética anteciparam outra visão.

Trump chamou Gaza de “uma bela propriedade” e disse ser “um homem do ramo imobiliário de coração” ao falar sobre a reconstrução da Faixa devastada pela guerra.

Quem aceitou?

Os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Egito, Catar, Bahrein, Paquistão, Turquia, Hungria, Marrocos, Kosovo, Armênia, Argentina e Paraguai aceitaram o convite de Trump. Assim como os estados da Ásia Central Cazaquistão, Mongólia e Uzbequistão, e as nações do Sudeste Asiático Indonésia e Vietnã.

O presidente israelense, Benjamin Netanyahu, também aderiu, embora tenha se irritado com a inclusão de autoridades turcas e catarianas no Conselho Executivo de Gaza e enfrente um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional.

Não havia nenhum representante israelense no palco da cerimônia do Conselho da Paz, embora o presidente israelense, Isaac Herzog, estivesse em Davos. Netanyahu não compareceu.

A Armênia e o Azerbaijão, que assinaram um acordo de paz mediado pelos EUA no ano passado, que daria aos EUA acesso exclusivo ao desenvolvimento de um corredor de trânsito crucial na região, também concordaram em participar.

O líder bielorrusso Alexander Lukashenko, frequentemente descrito como o último ditador da Europa e um aliado fundamental do presidente russo Vladimir Putin, aderiu.

“Tenho algumas pessoas controversas nisso”, disse Trump à CNN Internacional, referindo-se à sua afirmação de que Putin concordou em participar. O líder russo ainda não confirmou sua decisão, embora tenha mencionado a possibilidade de usar ativos russos congelados nos EUA para pagar a taxa de US$ 1 bilhão por uma vaga permanente. A possível inclusão de Putin gerou preocupação sobre como um país em guerra ativa poderia se envolver em um esforço para garantir a paz.

Witkoff e Kushner devem chegar a Moscou na quinta-feira para conversas com Putin, que se concentrarão em um acordo de paz com a Ucrânia.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que repetidamente criticou Trump por romper com a “ordem global baseada em regras” e impor tarifas punitivas, pretende aderir ao acordo com algumas condições. Ele afirmou que os detalhes, incluindo os financeiros, ainda precisam ser definidos.

Putin e Carney não compareceram à cerimônia em Davos na quinta-feira.

Quem recusou?

Algumas nações não se comprometeram, enquanto outras rejeitaram os convites.

O Reino Unido afirmou que não assinaria devido a preocupações com o envolvimento da Rússia.

A ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, disse à BBC na quinta-feira que seu país não seria um dos signatários “porque se trata de um tratado jurídico que levanta questões muito mais amplas”.

“Também temos preocupações com a participação de Putin em algo que fala sobre paz, quando ainda não vimos nenhum sinal de que haverá um compromisso com a paz na Ucrânia”, disse ela.

França e Noruega recusaram o convite, em parte devido a questionamentos sobre como o Conselho da Paz funcionaria em conjunto com a ONU.

A China confirmou o convite, mas não se pronunciou sobre a adesão. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou na quarta-feira que a China “manterá seu firme compromisso com a salvaguarda do sistema internacional, tendo a ONU como núcleo”.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse ser difícil imaginar a participação da China “em qualquer conselho com a Rússia”. A questão, segundo ele, “é que a Rússia é nossa inimiga e Belarus é sua aliada”.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que a adesão poderia levantar questões constitucionais e recusou-se a comparecer à cerimônia de assinatura. A ministra das Relações Exteriores da Irlanda, Helen McEntee, disse que analisaria cuidadosamente o convite.

Quais são as preocupações?

O Conselho da Paz de Trump está envolto em controvérsias.

Diplomatas, autoridades e líderes mundiais expressaram grande preocupação com a ampliação do escopo do conselho, a presidência indefinida de Trump e os potenciais danos que isso poderia causar ao trabalho da ONU.

Os Estados-membros cumprirão mandatos de três anos, após os quais deverão pagar US$ 1 bilhão por uma vaga permanente. Os fundos arrecadados serão destinados à reconstrução de Gaza, segundo um funcionário americano, mas a medida tem sido criticada por ser suscetível à corrupção.

O comentário de Trump de que o Conselho “poderia” substituir a ONU aumentou as preocupações de que ele possa se tornar um instrumento para que ele suplante o órgão criado há 80 anos para manter a paz mundial. A carta constitutiva do Conselho menciona “instituições que falharam com muita frequência”, sem citar a ONU, organização que Trump criticou repetidamente.

O principal funcionário humanitário e coordenador de ajuda emergencial da ONU, Tom Fletcher, disse à CNN Internacional que o Conselho da Paz de Trump não substituirá sua organização.

“Deixo claro, e meus colegas também, que as Nações Unidas não vão a lugar nenhum“, afirmou.

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