Sentença de Bradley Manning deve ser anunciada nesta quarta
Internacional|Do R7
Washington, 31 jul (EFE).- O julgamento militar contra o soldado Bradley Manning, acusado de filtrar milhares de documentos classificados para o Wikileaks, iniciou nesta quarta-feira sua fase de sentença depois que ontem a juíza que instrui o caso não o considerou culpado da acusação mais grave, "ajuda ao inimigo". O ex-analista de inteligência foi declarado culpado de 20 das 22 acusações apresentadas contra si e foi absolvido da "ajuda ao inimigo", que poderia ter acarretado na pena de prisão perpétua sem liberdade condicional. Mesmo assim, Manning poderia enfrentar uma pena de até 136 anos de prisão. Os promotores militares anunciaram que durante esta fase de sentença, chamarão até 20 testemunhas, das quais metade falarão sobre assuntos confidenciais. A juíza proibiu tanto a acusação como a defesa de apresentar provas durante o julgamento sobre as filtragens de Manning com relação à segurança nacional e às tropas no Afeganistão e Iraque, mas os letrados poderão fazer durante este período que começa agora. A juíza Denise Lind também restringiu a apresentação de provas sobre os motivos do soldado, de 25 anos, para filtrar os documentos. Manning testemunhou durante uma audiência prévia ao julgamento e assegurou que nunca pensou que seus atos pudessem afetar a segurança do país, embora tenha reconhecido que queria mostrar as práticas do Governo americano. O jovem não testemunhou durante o julgamento, mas poderá fazê-lo durante a fase de sentença. Analista de inteligência no Iraque desde outubro de 2009 até maio de 2010, quando foi detido, Manning foi declarado culpado de violar a Lei de Espionagem pelo vazamento dos diários de guerras do Iraque e do Afeganistão, os telegramas diplomáticos do Departamento de Estado, relatórios de presos da Base Naval de Guantánamo e direções militares de correio eletrônico, entre outros. Vídeos como "Collateral Murder", no qual é possível ver um ataque aéreo que mata inocentes no Iraque, foram amplamente divulgados pelo Wikileaks e Manning reconheceu ter feito a filtragem para mostrar a frieza e crueldade na guerra. A defesa apresentou Manning como um jovem idealista que justificou suas ações pela necessidade de que os americanos e o mundo em geral conhecessem os excessos dos militares nas guerras no Iraque e Afeganistão e os abusos em países do terceiro mundo. Durante o julgamento, a acusação chegou a apresentar provas que, durante o registro da casa onde se escondia no Paquistão Osama bin Laden, o líder da Al Qaeda, as forças especiais que invadiram o complexo encontraram informação filtrada por Wikileaks. EFE rg/ff











