Trump diz que discurso de quinta-feira (16) terá foco em ‘eleições livres e justas’
Presidente americano deverá falar da guerra contra o Irã e da eleição de 2020, que perdeu para Joe Biden
Internacional|Kevin Liptak e Sean Lyngaas, da CNN Internacional
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O presidente dos EUA, Donald Trump, planeja usar parte de um discurso em horário nobre na noite desta quinta-feira (16) para discutir novas descobertas sobre a segurança das eleições americanas, entre outros temas — criando mais uma oportunidade de grande visibilidade para contestar os resultados da eleição de 2020, que perdeu.
Falando no Salão Oval, dois dias antes do pronunciamento, Trump confirmou que o discurso terá como foco as eleições e “algumas outras coisas”.
Autoridades disseram que o conteúdo ainda está sendo finalizado, mas Trump deve abordar diversos assuntos. Ele continua profundamente envolvido em seu conflito com o Irã, com ataques noturnos no país enquanto busca uma forma de reabrir o estreito de Ormuz. Mesmo com a guerra aparentemente voltando a se intensificar, Trump apresentou o tema eleitoral como o principal foco de seu pronunciamento de quinta-feira.
“É uma notícia realmente muito grande, e nosso país precisa se acertar”, disse durante uma reunião com o primeiro-ministro do Iraque.
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“Não existe algo maior que isso, porque sem eleições livres e justas você não tem um país”, acrescentou o presidente. “Também vamos discutir outras coisas, mas será um anúncio muito importante.”
Trump anunciou o discurso de quinta-feira nas redes sociais na segunda-feira, mas não especificou o tema. Ele disse que a fala começará às 21h no horário da Costa Leste dos EUA (22h em Brasília). Em entrevistas desde então, evitou revelar exatamente o que pretende abordar.
“Vai ser apenas um discurso, como muitos dos meus discursos”, disse ao apresentador de rádio Hugh Hewitt logo após o anúncio inicial.
Pronunciamentos presidenciais em horário nobre são raros e geralmente reservados para atualizações importantes destinadas a alcançar uma ampla audiência. Normalmente, autoridades da Casa Branca pedem às emissoras de TV que interrompam sua programação regular; não estava claro se esse pedido havia sido feito para o discurso desta semana.
A integridade eleitoral é uma obsessão de Trump há anos. Ele insiste há muito tempo que irregularidades comprometeram a eleição de 2020, vencida por Joe Biden. Também criticou repetidamente o Congresso por não aprovar seu projeto de reforma eleitoral, que está parado no Senado. Em determinado momento, chegou a se recusar a sancionar uma proposta bipartidária para reduzir os custos da habitação enquanto pressionava parlamentares a aprovarem a legislação eleitoral.
Republicanos no Congresso e assessores da Casa Branca têm incentivado Trump a concentrar mais sua atenção no custo de vida à medida que as eleições legislativas de meio de mandato se aproximam. No entanto, como ilustra o discurso previsto para esta semana, ele permanece determinado a continuar falando sobre o que considera problemas relacionados ao sistema eleitoral.
O pronunciamento é apenas o exemplo mais recente. Desde que retornou à Presidência no ano passado, Trump instruiu seu governo a usar os vastos recursos das agências de inteligência dos EUA para lançar dúvidas sobre as eleições americanas ou questionar a ideia de que potências estrangeiras tenham interferido nelas.
No ano passado, o diretor da CIA, John Ratcliffe, retirou o sigilo de um memorando que criticava o trabalho analítico das agências de inteligência ao concluir que a Rússia influenciou a eleição presidencial de 2016 porque queria ajudar Trump a vencer. Ainda assim, o documento não contradizia diretamente nenhuma avaliação anterior da inteligência americana.
Tulsi Gabbard, hoje ex-diretora de Inteligência Nacional no governo Trump, concentrou grande parte de seus esforços em tentar sustentar a falsa alegação de que a eleição de 2020 foi roubada. Em janeiro, ela esteve presente no condado de Fulton, na Geórgia, quando agentes do FBI executaram um mandado de busca relacionado ao pleito de 2020 — uma iniciativa considerada extraordinária para uma chefe de inteligência.
O gabinete de Gabbard também obteve máquinas de votação de Porto Rico e investigou possíveis vulnerabilidades. No entanto, as falhas encontradas eram, em grande parte, antigas e já conhecidas pela comunidade eleitoral.
O uso de recursos de inteligência para apoiar as alegações de fraude eleitoral de Trump não diminuiu após a saída de Gabbard no mês passado.
Bill Pulte, dirigente da agência federal de habitação que assumiu interinamente a função, “talvez descubra algumas coisas sobre as eleições manipuladas (...) Acho que ele quer fazer isso”, disse Trump a jornalistas no mês passado.
O indicado de Trump para ocupar permanentemente o cargo de diretor de Inteligência Nacional, o procurador federal e ex-presidente da SEC Jay Clayton, enfrentará uma audiência de confirmação no Senado na quarta-feira. Antes de ser escolhido para a função, Clayton ecoou parte da retórica de Trump sobre eleições ao comentar o pleito da Califórnia em junho.
“Do ponto de vista da integridade, estamos fazendo um trabalho absolutamente terrível, e os americanos têm razão em questionar isso”, disse Clayton à CNBC.
Em seu segundo mandato, Trump também desmontou várias estruturas criadas durante seu primeiro governo para alertar o público sobre operações de influência estrangeira voltadas às eleições americanas. O governo acusa esses programas federais de censurar cidadãos e interferir politicamente nos processos eleitorais dos EUA.
Assessores de Trump já haviam manifestado preocupação de que a divulgação de informações de inteligência — mesmo com o objetivo de proteger a população contra operações estrangeiras de influência — pudesse acabar sendo vista como interferência política doméstica.
Após a vitória de Trump na eleição de 2024, um documento de planejamento utilizado por sua equipe de transição e analisado pela CNN afirmou que o Departamento de Justiça e o FBI deveriam revisar a forma como comunicam ameaças ao público, “por exemplo, ao anunciar acusações contra hackers estrangeiros ou ao se envolver em questões de segurança eleitoral de maneira partidária”.
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