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Ucrânia quer que ex-presidente foragido enfrente Justiça internacional

Internacional|Do R7

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Por Timothy Heritage e Natalia Zinets

KIEV, 25 Fev (Reuters) - O Parlamento da Ucrânia aprovou nesta terça-feira o envio do ex-presidente foragido Viktor Yanukovich para que seja julgado na Corte Internacional de Justiça, em Haia, por "crimes graves" cometidos durante os protestos contra o governo nos quais várias pessoas morreram.

Uma resolução, que contou com grande apoio dos parlamentares, ligou Yanukovich, derrubado no sábado e atualmente foragido, à violência policial contra manifestantes, que, segundo foi dito, resultou na morte de mais de cem cidadãos ucranianos e de outros países.

A Corte Internacional de Justiça, com sede em Haia, disse que precisaria de um pedido do governo da Ucrânia, passando ao tribunal a jurisdição sobre as mortes.

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Com eleições antecipadas marcadas para 25 de maio, um dos principais líderes da oposição e campeão mundial de boxe aposentado, Vitaly Klitschko, confirmou que vai concorrer à Presidência.

Yanukovich foi acusado na segunda-feira de "assassinato em massa" e agora está em uma lista de procurados. Ele foi visto pela última vez na Crimeia, região onde há uma base naval russa.

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Um assessor que teria fugido com Yanukovich foi baleado na perna, disse seu porta-voz. Não ficou claro onde estava o homem, Andriy Klyuev, ou se estava com o líder fugitivo.

A resolução do Parlamento disse que o ex-ministro do Interior Vitaly Zakharchenko e o ex-procurador-geral Viktor Pshonka, igualmente procurados pelas autoridades, também devem ser enviados ao tribunal de Haia.

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"O Parlamento pede à Corte Internacional de Justiça que considere Viktor Yanukovich e outras autoridades de alto nível responsáveis por ordens claramente criminosas", afirmou o texto.

Segundo a resolução, as autoridades durante o governo Yanukovich cometeram abusos sistemáticos de poder. De acordo com o documento, a polícia torturou ativistas, deixando-os, inclusive, sem roupas a uma temperatura de 15 graus abaixo de zero.

JURISDIÇÃO DA CORTE

A Corte Internacional de Justiça, que desde a sua fundação em 2002 lidou somente com casos da África, disse que poderia intervir se o governo da Ucrânia pedisse.

"Um governo pode fazer uma declaração aceitando a jurisdição do tribunal sobre eventos passados", afirmou o porta-voz do tribunal, Fadi El Abdallah. Depois disso, caberia aos promotores de Haia a decisão de abrir investigação ou não.

A Ucrânia nunca assinou o tratado que criou a corte, o que significa que o tribunal não tem jurisdição automática sobre os recentes distúrbios no país. Se o governo, no entanto, pedir, a corte teria o poder para investigar.

Contudo, a decisão de envolver o tribunal não resultaria necessariamente em uma investigação, e a Ucrânia não teria voz na avaliação sobre quem deveria ser investigado.

O ministro do Interior interino da Ucrânia, Arsen Avakov, afirmou que Yanukovich era procurado por "assassinato em massa de cidadãos pacíficos".

O ex-presidente deixou Kiev de helicóptero na sexta-feira, em direção à sua base política no leste, de onde foi impedido de deixar o espaço aéreo do país e desviou para a Crimeia.

A queda de Yanukovich ressuscitou os temores de que a ex-república soviética de 46 milhões de habitantes possa ser dividida entre a parte pró-Ocidente e a parte pró-Rússia.

Em um alerta para que a União Europeia e os Estados Unidos não tentem definir o futuro da Ucrânia, o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que os ucranianos não podem ser forçados a escolher entre a Rússia e o Ocidente.

DISPUTA POR INFLUÊNCIA

Tanto a Rússia quanto o Ocidente, enquanto competem por influência no novo governo da Ucrânia, têm declarado publicamente que não querem a divisão do território ucraniano.

Moscou disse que não vai se relacionar com os que lideraram um "motim armado" contra Yanukovich, que apoiava a Rússia, e afirmou temer pelos seus cidadãos que moram na Ucrânia. Muitos russos vivem no leste do país, região onde o russo é predominantemente falado, e na Crimeia, no Mar Negro.

"É perigoso e contraproducente tentar impor à Ucrânia uma escolha sobre o princípio: "Ou você está conosco ou contra nós", disse Lavrov em entrevista coletiva em Moscou.

O chanceler russo afirmou que a Rússia e o Ocidente devem usar os seus contatos na Ucrânia para acalmar a situação, sem procurar obter vantagens, em um momento em que o diálogo nacional é necessário.

Os distúrbios começaram na Ucrânia depois que Yanukovich desistiu de firmar um acordo comercial com a União Europeia, em prol de estreitas os laços com a Rússia, que ofereceu empréstimos e gás mais barato.

A chefe de diplomacia da UE, Catherine Ashton, a primeira autoridade estrangeira sênior a visitar Kiev desde a derrubada de Yanukovich, disse que o bloco europeu entendeu a necessidade de fortes ligações entre Kiev e Moscou, mas que uma forte mensagem deve ser enviada sobre a integridade territorial da Ucrânia.

Expressando "forte apoio" aos novos líderes da Ucrânia em uma entrevista coletiva, Ashton pediu a eles para formar um governo "inclusivo" e se concentrar em resolver os problemas de curto prazo do país.

Ela não deu detalhes de qualquer ajuda financeira externa, dizendo que a UE irá trabalhar com o Fundo Monetário Internacional, mas que o FMI fará a sua própria avaliação da situação.

(Reportagem adicional de Matt Robinson e Richard Balmforth, em Kiev; de Elizabeth Piper, em Moscou; e de Thomas Escritt, em Haia)

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