União Europeia proíbe importações de carne do Brasil a partir de setembro
Governo diz que recebeu decisão com ‘surpresa’ e que tomará medidas para reverter o veto
Internacional|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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O Brasil ficou de fora de uma lista divulgada nesta terça-feira (12) pela União Europeia de países autorizados a exportar animais produtores de alimentos e produtos de origem animal para o bloco a partir de 3 de setembro de 2026.
Com isso, caso o país não comprove adequação às novas regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal até a data estabelecida, poderá ser impedido de exportar animais vivos e produtos derivados ao mercado europeu.
Segundo a nota enviada ao R7, a lista de produtos que não poderão ser exportados à UE inclui “tanto animais vivos para produção de alimentos quanto produtos derivados — como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e tripas“.
A Comissão Europeia também afirmou à reportagem que mantém contato com as autoridades brasileiras para discutir o tema. “Uma vez demonstrado o cumprimento, a UE poderá autorizar as exportações”, informou.
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Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura e Pecuária, de Relações Exteriores e de Empresa, Indústria e Comércio disseram que receberam a decisão com “surpresa”.
“O Governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados, e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos”, disseram as pastas.
Lista de países autorizados
As novas exigências fazem parte da estratégia sanitária da União Europeia para combater a resistência antimicrobiana, considerada pelo bloco “a maior ameaça à saúde pública do século”.
Desde 2022, as regras já se aplicam aos produtores dentro da UE. Agora, também passarão a valer para países terceiros que exportam alimentos de origem animal ao continente europeu.
Vizinhos do Brasil, como Argentina, Chile e Colômbia, fazem parte da lista de países que cumprem as normas europeias e estão autorizados a exportar seus produtos.
Pelas normas europeias, não é permitido o uso de antimicrobianos para promover crescimento animal ou aumentar produtividade. Também fica proibido o uso, em animais, de medicamentos antimicrobianos reservados exclusivamente ao tratamento de infecções humanas.
Setor de carnes
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) divulgou nota na qual diz que o setor privado trabalha em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária na elaboração de protocolos para adequação às normas europeias. O texto reforça que as normas só passam a valer depois do prazo de 3 de setembro.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Amanda Almeida, editora-chefe.
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