Logo R7.com
RecordPlus
JR 24H

Se você está se sentindo estressado, talvez seja melhor não acariciar seu gato, sugere estudo

Diferenças nas personalidades dos animais e donos influenciam a qualidade das interações

The Conversation|Jodie Raybould e Daniel Waldeck

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo holandês investiga o impacto de cães e gatos no humor dos donos, usando um aplicativo para monitorar interações em tempo real.
  • Interações com ambos os animais melhoram o humor a curto prazo, mas não reduzem o estresse; gatos podem até piorar a situação.
  • Estudo tem limitações devido ao menor número de donos de gatos e à exclusão de lares com múltiplos animais.
  • A qualidade da interação é crucial, pois cães e gatos têm necessidades diferentes, e a comunicação entre donos e animais pode ser falha.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Interações com animais de estimação melhoram o humor a curto prazo Pexels/Nhà văn

Você chega em casa depois de um dia estressante e se aproxima do seu gato em busca de um pouco de conforto. Ele sibila. Talvez dê uma patada.

Ou simplesmente balance a cauda e vá embora sem nem mesmo dar um miado. Um cachorro, por outro lado, te recebe como se tivesse acabado de ganhar na loteria.


É claro que alguns donos vão argumentar que seus gatos são muito carinhosos, mas será que é o gato ou o cachorro que, na verdade, faz mais bem para o seu humor? Um estudo holandês acaba de tentar descobrir isso.

Veja Também

Os pesquisadores acompanharam donos de animais de estimação durante cinco dias para verificar se a interação com um cão ou gato influencia o humor em tempo real.


O estudo, publicado no periódico científico Frontiers in Psychology, usou um aplicativo que enviava cerca de dez notificações por dia durante cinco dias — incluindo dias de folga — para flagrar as pessoas no momento em que brincavam com seu animal de estimação.

Sempre que os participantes recebiam uma notificação, precisavam responder a perguntas rápidas sobre se estavam interagindo com seu animal de estimação, seu humor atual e o quanto se sentiam estressados (o dono, não o animal).


Os pesquisadores descobriram que a interação com um animal de estimação estava associada a uma melhora de humor a curto prazo — e a espécie não fazia diferença. Tanto cães quanto gatos faziam seus donos se sentirem bem por um curto período.

Mas, apesar de proporcionarem um breve aumento de felicidade, cães e gatos não foram capazes de reduzir o estresse de seus donos. E, enquanto os cães simplesmente não pareciam ajudar, os gatos pareciam estar piorando a situação.


Os resultados são intrigantes, mas o estudo apresenta algumas limitações. Por um lado, havia muito menos donos de gatos (36) do que de cães (75), de modo que a comparação não é exatamente justa.

Além disso, o estudo simplesmente não tem “poder estatístico” suficiente para tirar conclusões definitivas. Os próprios pesquisadores reconhecem isso.

Também se deve levar em conta que os dados da vida real podem ser mais confusos. Para obter estatísticas mais precisas, os pesquisadores precisaram excluir os casos em que um gato e um cachorro estavam presentes ao mesmo tempo.

Mas muitos donos de animais de estimação, ou qualquer pessoa que já tenha assistido a um episódio do desenho animado “Tom e Jerry”, sabem que lares com vários animais de estimação nem sempre funcionam de maneira organizada.

Às vezes, o impacto positivo pode não vir de um único animal de estimação, mas de uma combinação deles; no entanto, são necessárias mais pesquisas para explorar isso mais a fundo.

Animais de estimação têm personalidades

E sejamos justos: animais de estimação têm personalidades. Assim como os humanos, um cão ou gato pode ser distante ou carinhoso, preguiçoso ou ativo, brincalhão ou sério.

A interação entre os traços de personalidade do dono e do animal de estimação pode mudar a forma como criamos laços, refletindo o conceito psicológico de apego.

A teoria do apego sugere que os relacionamentos na primeira infância podem moldar a forma como criamos laços na idade adulta.

Também vale a pena observar que os pesquisadores utilizaram perguntas de item único para medir aspectos como a interação com animais de estimação.

Há benefícios claros nisso — mantém a pesquisa curta, mas também significa que não sabemos realmente que tipo de interação as pessoas estavam tendo (seria um abraço? Uma carícia rápida?). Sem esse detalhe, é difícil saber como a qualidade das interações influenciou os resultados.

Isso é importante porque cães e gatos têm necessidades diferentes em relação às nossas interações com eles. Enquanto os cães foram domesticados para cooperar com os humanos, os gatos foram domesticados para controlar pragas como roedores .

Os gatos passaram por um processo de reprodução seletiva muito menos intensivo do que os cães, por isso ainda compartilham características com o gato selvagem, solitário e territorial — um fato que muitos donos podem confirmar.

Quando se trata de entender nossos amigos felinos, parece que podemos ser bastante ruins em reconhecer quando os gatos estão descontentes.

Na verdade, esses problemas de comunicação também se aplicam aos cães — os donos nem sempre percebem quando eles estão ansiosos ou desconfortáveis.

Apesar disso, os animais têm sido usados para ajudar a melhorar o bem-estar humano desde o século 18, e décadas de evidências comprovadas não mentem.

Mas a qualidade e o tipo de interação entre o animal de estimação e a pessoa provavelmente importam muito. Se seu gato se enrolar no seu colo para tirar uma soneca, seu estresse pode simplesmente desaparecer.

Mas, se ele não quiser saber de você e miar em protesto, pegar o gatinho no colo para um carinho pode acabar deixando você ainda mais exausto.

Search Box

Jodie Raybould trabalha na Coventry University.

Daniel Waldeck trabalha na Coventry University.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.