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Ministro André Mendonça retira sigilo de pagamentos suspeitos realizados por Daniel Vorcaro

O inquérito apresenta relatórios do Coaf com uma lista de pagamentos feitos a a mando de Vorcaro para mais de 300 pessoas e quase 600 empresas

JR na TV|Do R7

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O relator do caso Master no Supremo, ministro André Mendonça, retirou o sigilo dos pagamentos suspeitos realizados pelo banqueiro do Master, Daniel Vorcaro. A divulgação dos dados, antes sigilosos, foi solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes. Ele justificou que as informações seriam importantes para embasar os votos dos ministros no julgamento de amanhã (15), em que vão ser analisadas as mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro.  

O inquérito apresenta relatórios de inteligência financeira do conselho de controle de atividades financeiras, o Coaf, com uma lista de pagamentos feitos a mando de Vorcaro para mais de 300 pessoas e quase 600 empresas. Entre os maiores valores, estão movimentações que passam de R$ 57 milhões para a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. A instituição foi alvo de investigação na CPMI do INSS e de suspeitas de desvio de emendas parlamentares.  

O cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, atuava como pastor e presidente da igreja. Uma empresa relacionada a Zettel movimentou R$ 3,78 milhões na compra de três veículos de luxo, segundo o relatório: uma Range Rover (R$ 1,53 milhão), um Cadillac Escalade (R$ 1,6 milhão) e um Audi R$ 650 mil. Outra empresa beneficiada pelos pagamentos de Vorcaro, no total de R$ 644 mil, foi a Noah Empreendimentos e participações, empresa que tem como um dos sócios Luis Roberto Neves de Souza, irmão do ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza, além da Pipe Participações, que tem como administrador Fabiano Zettel.  

Em março, a Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça autorização para acesso a todos os pagamentos feitos por Daniel Vorcaro. O ministro atendeu ao pedido, mas o Coaf só forneceu uma parte da lista por ter identificado transferências para pessoas que teriam foro privilegiado. Novamente, a PF recorreu a Mendonça para que o acesso fosse integral, mas não houve uma resposta do ministro sobre o pedido até hoje.  

Com isso, supostos pagamentos a políticos e autoridades não foram enviados aos investigadores. Na manhã desta segunda-feira (14), a PF entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido com Vorcaro aos ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, que pediram para ter acesso a esse material no fim de semana. Equipes dos dois gabinetes fazem uma varredura no material, que pode ser usado no julgamento de amanhã (15).

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