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Produtora do filme 'Dark Horse' teve movimentação suspeita de R$ 19 milhões detectada pelo Coaf

Entre as organizações citadas no documento estão o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura, ambos presididos por Karina Gama

JR na TV|Do R7

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O ministro Flávio Dino, do STF, levantou o sigilo da investigação. A produtora do filme Dark Horse teve uma movimentação suspeita de R$ 19 milhões detectada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em 2025, ano em que o longa-metragem foi gravado. 

Entre as organizações citadas no documento estão o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura, ambos presididos por Karina Gama. Ela também é dona da produtora Go Up, responsável pela produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro. 

Segundo o relatório, "há fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas, na qual o deputado federal Mário Frias figura como agente central". Para os investigadores, o dinheiro das emendas parlamentares enviadas por Frias "evidencia um circuito financeiro fechado, característico de estruturas destinadas à circulação, fragmentação e reintrodução de valores entre integrantes de um mesmo núcleo de atuação". 

O relatório destaca que Mário Frias fez um repasse para o filme incompatível com seus rendimentos. O texto descreve "o envio de R$ 645,4 mil para a Go Up pelo próprio deputado federal Mário Frias, que tem rendimentos mensais de R$ 44 mil 

O documento questiona as transferências feitas para Karina em menos de dois meses. Em janeiro de 2025, a produtora comprou um carro pelo valor de R$ 102 mil em dinheiro vivo, operação que também chamou a atenção do Coaf. 

A Polícia Federal aponta ainda que, além de Frias, os parlamentares Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF) também assinaram emendas parlamentares para uma organização presidida por Karina. No entanto, essas verbas não chegaram a ser repassadas em razão de problemas técnicos no contrato que garantiria o pagamento dos recursos. 

O ex-marqueteiro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Marcello de Oliveira Lopes, também enviou dinheiro para o filme, destinando R$ 1 milhão à Go Up Entertainment. A transferência aparece em uma comunicação sobre movimentações consideradas atípicas identificada pela área de inteligência financeira do Coaf. O relatório não detalha a origem do dinheiro nem a finalidade do pagamento feito pelo marqueteiro, que é amigo do senador e candidato à presidência pelo PL. 

Em nota, a deputada federal Bia Kicis afirmou que sua única emenda, no valor de R$ 150 mil, nunca chegou a ser paga e negou qualquer desvio de finalidade. Já o deputado Marcos Pollon disse que sua emenda de R$ 1 milhão destinada ao projeto não foi paga e acabou redestinada ao Hospital do Amor de Barretos. 

Procurados, Mário Frias, Karina Gama e Marcello de Oliveira Lopes não responderam aos questionamentos iniciais. No fim da tarde, o deputado publicou um vídeo em que afirma que os R$ 2 milhões associados ao seu nome foram destinados a um projeto esportivo e de letramento para crianças de rua.

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