Acusado de matar ex-companheira na frente da filha de 5 anos vai a júri popular em BH
Juíza manteve a prisão preventiva de Alex de Oliveira Sousa, denunciado por feminicídio qualificado; vítima tinha medida protetiva e foi morta na véspera de Ano Novo
Minas Gerais|Cler Santos, do R7
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O homem acusado de matar a ex-companheira na frente da própria filha, de apenas 5 anos, no bairro Jardim América, na região Oeste de Belo Horizonte, será levado a júri popular. A decisão é da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Juízo Sumariante do Tribunal do Júri da capital, que pronunciou Alex de Oliveira Sousa pelos crimes atribuídos pelo Ministério Público e manteve a prisão preventiva do réu.
Na decisão, a magistrada entendeu que há prova da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para que o caso seja julgado pelo Tribunal do Júri.
Alex foi pronunciado por feminicídio praticado em contexto de violência doméstica, com as qualificadoras de o crime ter sido cometido na presença da filha do casal, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e em descumprimento de medida protetiva de urgência, além da agravante de motivo torpe. A juíza também destacou a gravidade concreta do crime, o histórico criminal do acusado e a necessidade de garantir a ordem pública ao manter a prisão preventiva.

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O crime ocorreu na manhã de 31 de dezembro de 2025. Segundo as investigações, Alex invadiu a casa onde a ex-companheira, Cinthya Micaelle Soares Roliz, de 26 anos, morava após o fim do relacionamento. Ele pulou o muro da residência, entrou no quarto onde a vítima dormia ao lado da filha do casal e efetuou diversos disparos de arma de fogo. Cinthya morreu no local.
De acordo com a Polícia Civil, o casal manteve um relacionamento por cerca de seis anos e estava separado havia aproximadamente três meses. A separação ocorreu depois que Cinthya descobriu uma traição do então companheiro. Familiares relataram que ela era vítima de violência doméstica, sofria ameaças constantes e possuía medida protetiva contra Alex.
Após o homicídio, o suspeito fugiu e permaneceu foragido por cerca de três semanas. Ele foi localizado e preso em 22 de janeiro deste ano, em uma área de sítio em Mateus Leme, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Conforme a delegada Iara França Camargos, responsável pelas investigações, Alex resistiu à prisão e utilizou cães de grande porte para tentar impedir a abordagem dos policiais.
A investigação também apontou um histórico de violência do acusado. Segundo a Polícia Civil, Alex já havia tentado matar outras companheiras e, durante o relacionamento com Cinthya, a agredia frequentemente. Familiares afirmaram que ele chegou a deslocar o ombro da vítima e também agrediu a ex-sogra.
Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi o relato da filha do casal, que presenciou toda a ação. Conforme informado pela delegada, a criança contou que viu “fumaça” saindo do corpo da mãe após os disparos. À época, a mãe da vítima, Ângela Fernandes Soares, criticou a falta de proteção oferecida à filha e afirmou que as diversas denúncias e boletins de ocorrência registrados contra o suspeito não impediram o desfecho trágico.
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