Anglo tem R$ 10 milhões bloqueados após rompimento de mineroduto
Acidente aconteceu em Santa Antônio do Grama, a 227 quilômetros de Belo Horizonte, e despejou cerca de 450 m³ de minério no meio ambiente
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

A Justiça de Minas Gerais determinou o bloqueio de R$ 10 milhões da Anglo American Minérios de Ferro Brasil S/A para garantir a reparação e indenização dos danos causados pelo rompimento do mineroduto Minas-Rio, em Santa Antônio do Grama, que fica a 227 quilômetros de Belo Horizonte. O acidente aconteceu no dia 12 de março e o material atingiu o ribeirão Santo Antônio, que abastece a cidade.
A decisão foi tomada após um pedido liminar do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) que solicitava medidas emergenciais pela empresa. O despacho prevê que a Anglo deve adotar medidas:
• Adotar medidas para cessar o vazamento e a contaminação do meio ambiente imediatamente;
• Dar destinação ambiental adequada aos poluentes no prazo de 72 horas;
• Providenciar cadastro dos atingidos pela falta de água, fornecendo-lhes água potável
• Pagar auditoria ambiental independente no complexo
• Apresentar resultado da auditoria em 120 dias com informações sobre os níveis de poluição e degradação ambiental.

Desde o dia do acidente, a mineradora já adotou medidas para controlar a situação. Ainda assim, de acordo com a Justiça, danos ambientais foram causados e outros ainda podem surgir, uma vez que a polpa de minério lançada no córrego poluiu as águas. Assim, o abastecimento foi comprometido em Santa Antônio do Grama e pode afetar o município vizinho, Rio Casca.
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A distribuição de água na cidade foi normalizada no dia 15. Segundo a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), a captação voltou a ser totalmente feita pela Eta (Estação de Tratamento de Água).
Procurada pelo R7, a Anglo American Minérios de Ferro Brasil S/A informou que foi construída uma nova adutora no ribeirão Salgado como alternativa para captação de água para o município. Segundo a empresa, o minério despejado começou a ser retirado do riberião e está sendo depositado nas suas próprias instalações. O grupo esclareceu, ainda, que pediu a substituição do bloqueio dos R$ 10 milhões por uma garantia, conforme previsto na lei.
Danos
Segundo levantamento inicial do Nucrim (Núcleo de Crimes Ambientais), do MPMG, 450 m³ de minério foram despejados no meio ambiente, em aproximadamente 45 minutos de vazamento. A empresa alega que a polpa vazou por 25 minutos.
A Ação Civil Pública movida pelo MP aponta que testes realizados pelo Nucrim detectaram 75,1 NTU (nível de turbidez) na parte acima de onde aconteceu o acidente e depois do ponto de rompimento, o nível foi de 837 NTU.
Veja a pasta de minério e água sendo jorrada:















