Apenas uma deputada federal por Minas Gerais foi contra desoneração da folha na Câmara
A análise do projeto contou com a participação de 43 dos 53 parlamentares mineiros; Congresso vai votar o veto presidencial
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

Apenas uma deputada federal por Minas Gerais foi contra a desoneração da folha de pagamento para 17 setores econômicos, quando o projeto foi aprovado pela Câmara, em agosto deste ano. O assunto vai voltar à pauta do Congresso na próxima quinta-feira (14), quando senadores e deputados vão avaliar o veto presidencial à proposta.
O voto contrário por Minas Gerais foi de Célia Xakriabá (PSOL-MG). Ela manteve o mesmo posicionamento dos outros 11 colegas de partido. A federação se manifestou contrariamente à iniciativa e orientou o posicionamento dos parlamentares.
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Na data, 43 dos 53 deputados mineiros participaram da votação. Quarenta e dois deram o aval à iniciativa. Ao todo, foram 448 legisladores de todo o Brasil na sessão. O texto foi aprovado com o "sim" de 430 parlamentares, ou seja, 95,9% dos presentes. O presidente da reunião não vota. Os 17 restantes não foram favoráveis à proposta.
Depois de também ter sido validado pelo Senado, o texto foi vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia 23 de novembro. Agora, o Congresso vai decidir se mantém o veto.
Futuro do veto
O veto foi recomendado pelo Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad. Nos corredores do Congresso, o clima é a favor da derrubada, comentou o deputado Fred Costa (Patriota-MG). "Eu percebo essa vontade em vários parlamentares, de diferentes campos políticos", disse ele ao R7.
Na avaliação do parlamentar, a falta do projeto pode comprometer vagas de emprego devido ao "aumento de custos". "Se o veto não for derrubado, o impacto será na economia e no emprego", declarou.
A reportagem procurou a deputada Célia Xakriabá para saber se a legisladora vai manter o posicionamento, mas ela ainda não respondeu à demanda.
A rejeição do veto acontece com a maioria absoluta dos votos, ou seja, 257 deputados e 41 senadores.
O veto seria analisado nesta semana, mas o esvaziamento do Congresso postergou a data. Parte dos parlamentares está em Dubai para participar da COP28. Na tarde desta quinta-feira (7), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse que vai pôr o tema em votação no próximo dia 14.
Na avaliação do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), a semana é decisiva para as negociações devido à aproximação do recesso do Legislativo. "Temos praticamente uma semana de Congresso Nacional", destacou o legislador, que é favorável à derrubada do veto.
"Não dá para aumentar tributos nesse momento, especialmente desses setores que são os que mais geram empregos", disse o deputado Diego Andrade (PSD-MG) ao defender a derrubada.
O assunto foi tema do quadro MGR na Política desta quinta-feira. No programa, políticos e empresários debateram as implicações do veto presidencial. Assista à íntegra:
A desoneração
Na prática, o projeto em discussão pede a prorrogação da desoneração da folha de pagamento para 17 setores econômicos. O benefício foi criado em 2011, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), com 56 áreas contempladas. Em 2018, o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) removeu 39 segmentos.
A medida valeria até 2021, mas foi prorrogada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). Agora, o benefício tem validade até 31 de dezembro deste ano.
Pelo texto, a contribuição previdenciária de 20% sobre a folha salarial é substituída por uma contribuição com alíquota entre 1% e 4,5% da receita bruta das empresas.
Um estudo da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom) mostra que 676.553 mil empregos deixariam de ser gerados caso não houvesse a desoneração da folha de pagamento entre 2018 e 2022.
Veja os setores beneficiados:
• confecção e vestuário;
• calçados;
• construção civil;
• call center;
• comunicação;
• construção e obras de infraestrutura;
• couro;
• fabricação de veículos e carrocerias;
• máquinas e equipamentos;
• proteína animal;
• têxtil;
• tecnologia da informação (TI);
• tecnologia da informação e comunicação (TIC);
• projeto de circuitos integrados;
• transporte metroferroviário de passageiros;
• transporte rodoviário coletivo;
• Transporte rodoviário de cargas;
• empregos e salários.













