O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) informou, nesta quinta-feira (5), ter multado a Cervejaria Backer em R$ 5 milhões após finalizar a apuração sobre as infrações administrativas cometidas pela empresa, que produzia a cerveja contaminada que matou ao menos dez pessoas em Minas Gerais. Segundo a investigação da Polícia Civil, ao menos outras 20 pessoas apresentaram problemas de saúde após ingerirem lotes contaminados com dietilenoglicol e monoetilenoglicol, provenientes de vazamentos no sistema de produção da cerveja Belorizontina. Segundo o comunicado do Mapa, a penalidades foi imposta em razão de a empresa ter ampliado e remodelado a área de instalação industrial registrada sem a devida comunicação à pasta; por ela deixar de atender a intimações, entre as quais a de recolhimento dos produtos; por alterar a composição de cervejas sem a prévia comunicação; por comercializar cerveja sem o devido registro do produto; e por produzir, engarrafar e comercializar 39 lotes de cerveja com presença de monoetilenoglicol ou dietilenoglicol. "Na época, a apreensão dos produtos realizada nas dependências do estabelecimento e no comércio em Minas Gerais contabilizou um total de 79.481,34 litros de cerveja com presença dos contaminantes, de várias marcas e vários lotes, sendo deste total 56.659 garrafas, que ofereciam riscos aos consumidores. Também foram recolhidos todos os produtos da marca do comércio", informou o ministério em nota. A fábrica da Backer havia sido interditada logo após a divulgação do caso, em janeiro de 2020. Em outubro deste ano, a empresa foi liberada pelo Mapa a operar em parte do complexo. "Para o retorno, a cervejaria substituiu em seu processo o fluido refrigerante por solução hidroalcoólica – solução que contém água e álcool. Desde novembro de 2021, a empresa vem produzindo cerveja no parque fabril em formato teste para que os produtos fossem submetidos a novas análises. Com a provação, a Cervejaria Backer está autorizada a produzir, envasar e comercializar seus produtos", explica o ministério sobre a liberação. Procurada, a Backer informou que não vai se pronunciar.Relembre o caso O caso Backer foi uma intoxicação em série de consumidores da cerveja Belorizontina, da Backer, que se tornou pública no primeiro fim de semana de 2020, após a divulgação de relatos em redes sociais. Ao fim das investigações, os peritos concluíram que parte do lote da bebida estava contaminada com monoetilenoglicol e dietilenoglicol, dois anticongelantes tóxicos ao corpo humano, usados no processo de resfriamento industrial. O material teria caído na bebida durante a fabricação. Tanques da empresa, localizada na região oeste de Belo Horizonte, estavam furados. Ao menos dez pessoas morreram em decorrência das intoxicações. Mais de 20 teriam apresentado problemas de saúde. Algumas delas tiveram sequelas motoras. Entre os sintomas mais comuns relatados pelos pacientes estão a insuficiência renal e paralisias motoras.