BH: Governo adia fechamento do Aeroporto Carlos Prates novamente
Aeródromo vai ficar aberto, ao menos, até dezembro de 2022; Ministério alega pedido de discussões sobre o assunto
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7
O Governo Federal confirmou, na noite desta quarta-feira (27), que vai adiar o fechamento do Aeroporto Carlos Prates, na região noroeste de Belo Horizonte. A suspensão das atividades prevista para este domingo (1º) foi remarcada para o dia 31 de dezembro de 2022. Esta é a segunda vez que a data é adiada.

“Prorrogamos o funcionamento do Aeroporto Carlos Prates como forma de atender um pleito de parte da sociedade belo-horizontina, que deseja ampliar a discussão sobre a destinação do terminal do centro da capital mineira”, informou em nota o ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio.
A portaria assinada pelo ministro nesta quarta-feira ainda vai ser divulgada no DOU (Diário Oficial da União)
A interrupção das atividades no aeródromo foi anunciada em 2020, após a Infraero, atual responsável pela gestão do local, oferecer a administração para a Prefeitura de BH e para o Governo de Minas Gerais e não haver interesse das partes.
No fim de 2021, no entanto, a prefeitura da capital mineira voltou atrás e manifestou a intenção de assumir a gestão do aeroporto e manter o espaço aberto. Com isto, o fechamento previsto para 31 de dezembro do ano passado havia sido adiado para este mês de maio.
Procurada, a prefeitura não informou se houve avanços no projeto. O município destacou que foi informado pelo Governo Federal que o Governo de Minas também teria declarado interesse em assumir as operações.
"Durante este período, o terminal segue com as atividades normalmente e a gestão permanece sob responsabilidade da Infraero. Após a nova data estabelecida, as atividades se encerram e o terreno deve retornar à União", esclareceu o Ministério da Infraestrutura.
Projeto da Prefeitura de BH
Em dezembro passado, o prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), informou ao Ministério da Infraestrutura que o município recebeu uma proposta de uma "grande entidade" que pretende operar na área. O político não revelou o nome do possível parceiro, mas detalhou que trata-se de um companhia "muito ligada à avaliação que precisa de muitos profissionais da área".
Noman sugeriu a continuidade das escolas de aviação que funcionam no terminal, além da implementação de outras atividades. "É um projeto em que o aeroporto passa a ser rentável, passa a ter serviços públicos, como Corpo de Bombeiros e uma série de outros benefícios, além de permanecer aquelas atividades que estão lá", destacou à época.
O chefe do executivo também havia apontado inviabilidade no projeto sugerido pelo Governo Federal de vender o terreno para a iniciativa privada para a construção de um bairro. O prefeito alegou falta de estrutura viária e de mobilidade na região já densamente povoada.
O aeroporto
O Aeroporto de Carlos Prates abriu as portas em janeiro de 1946. Hoje ele abriga um aeroclube dedicado à formação de pilotos, aviação desportiva, manutenção e construção de aeronaves. O aeródromo fica em uma área de 547 mil metros², no bairro de mesmo nome, em uma região prioritariamente residencial. Ele não é usado para voos comerciais.
Por um lado, moradores dos bairros vizinhos demandam o fechamento como uma forma de se reduzir os riscos à população. Segundo dados da Infraero, nos últimos 10 anos foram registrados sete acidentes relacionados ao aeroporto e 11 incidentes graves. Em 2019, duas aeronaves de pequeno porte caíram em um bairro vizinho, em um período de seis meses, causando a morte de quatro pessoas.
Na outra ponta da discussão, empresários e estudantes protestaram pela permanência do terminal na região. Eles indicam impactos econômicos com o fechamento do terminal e dificuldade para transferir o curso de aviação para outras unidades.
Veja fotos dos acidentes com aviões do aeroporto em 2019:
Moradores do bairro Caiçara, em Belo Horizonte, viveram uma situação assustadora que se repetiu duas vezes neste ano. Aeronaves que decolaram do Aeroporto Carlos Prates, vizinho do bairro, caíram poucos segundos depois.
Moradores do bairro Caiçara, em Belo Horizonte, viveram uma situação assustadora que se repetiu duas vezes neste ano. Aeronaves que decolaram do Aeroporto Carlos Prates, vizinho do bairro, caíram poucos segundos depois.























