Casal de Nova Lima é preso no Paraguai suspeito de abusar e torturar menina de 11 anos
Segundo a Polícia Civil, padrasto abusava da criança desde os 8 anos
Minas Gerais|Janaína Machado e Wagner de Oliveira, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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Um casal que morava em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi preso no Paraguai e indiciado após a investigação de abusos sexuais e agressões contra uma menina de 11 anos. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), os crimes teriam começado quando a vítima tinha 8 anos.
O padrasto da criança, de 43 anos, é paraguaio e trabalhava como comerciante em Nova Lima, onde era dono de um lava-jato. Ele foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável e tortura-castigo. A mãe da menina, uma advogada de 48 anos, também foi indiciada por estupro de vulnerável, diante da omissão apontada pela investigação.
O caso chegou à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Nova Lima em maio deste ano. De acordo com a delegada Melina Clemente, responsável pela investigação, a menina percebeu que as situações vividas dentro de casa configuravam abuso depois de participar de uma palestra de prevenção na escola.
Após a atividade, a criança procurou a diretora e contou o que vinha sofrendo. A escola acionou o Conselho Tutelar e o caso posteriormente chegou à Polícia Civil.
Segundo a investigação, a menina relatou que era abusada sexualmente pelo padrasto desde os 8 anos. Ela também teria contado à própria mãe sobre as agressões. A polícia afirma, no entanto, que, mesmo sabendo dos abusos, a mulher não protegeu a filha.
De acordo com a delegada, a mãe chegou a dizer à menina que ela deveria perdoar o padrasto e manter a família unida, atribuindo a conduta do homem a uma suposta influência do “diabo”. A Polícia Civil também apurou que a mulher chegou a se separar do companheiro, mas posteriormente permitiu que a filha voltasse a conviver com ele.
A investigação ainda identificou indícios de violência física e psicológica contra a criança. Segundo a PCMG, o padrasto obrigava a menina a realizar diferentes serviços domésticos e, quando considerava que as tarefas não haviam sido feitas de maneira satisfatória, a agredia com uma vara ou a obrigava a permanecer durante horas ajoelhada sobre pedras de brita.
A conduta levou ao indiciamento do homem também pelo crime de tortura-castigo.
Fuga para o Paraguai
Após o Conselho Tutelar comunicar o caso à polícia e as investigações avançarem, o casal fugiu levando a menina. Inicialmente, os investigados teriam ido para a região de Presidente Juscelino, na Região Central de Minas Gerais, e, posteriormente, deixado o país em direção ao Paraguai.
Com a expedição dos mandados de prisão, equipes de inteligência passaram a monitorar os suspeitos. Segundo a delegada Melina Clemente, a investigação contou com apoio do Gaeco Cyber e do Ministério Público para localizar a família.
Depois que os investigadores identificaram que o casal havia entrado no Paraguai, autoridades da região da tríplice fronteira foram acionadas. A Polícia Nacional do Paraguai localizou os suspeitos em uma casa alugada e realizou as prisões.
Ainda segundo a delegada, no momento em que foi presa, a mulher teria voltado a responsabilizar a própria filha pela situação. “Tá vendo o que você fez? Isso tudo é culpa sua”, teria dito à menina, conforme o relato policial.
Depois da prisão no Paraguai, os investigados foram encaminhados ao Brasil e permanecem detidos em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.
Além da menina de 11 anos, outras duas crianças estavam com o casal. Elas foram entregues a familiares paternos. Já a vítima dos abusos permanece acolhida em um abrigo em Ponta Porã e deverá receber acompanhamento da rede de proteção.
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