Minas Gerais Comissão da ALMG questiona prisão de motoboy por roubo

Comissão da ALMG questiona prisão de motoboy por roubo

Grupo pede à Justiça a soltura de Maxsuel Ribeiro, de 35 anos, por suposta falta de prova da autoria do crime ocorrido em Minas

Ribeiro é graduado e tem bons antecedentes

Ribeiro é graduado e tem bons antecedentes

Arquivo pessoal

A Comissão de Direitos Humanos da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais) enviou à Justiça, nesta sexta-feira (30), um ofício questionando a prisão do motoboy Maxsuel Vieira Ribeiro, de 35 anos, acusado de roubar um cordão e uma pulseira de ouro na cidade de Santana do Paraíso, a 237 km de Belo Horizonte.

O documento assinado pela deputada Andréia de Jesus (PSOL), presidente do grupo, pede que o juiz responsável pela 2ª Vara Criminal de Ipatinga, onde foi realizada uma audiência de custódia, reveja a decisão que manteve o suspeito preso durante as investigações.

No texto, a parlamentar aponta suposta falta de "prova material para a comprovação de autoria" do crime. Andréia de Jesus pontuou questionamentos feitos pela família e pelos advogados do motoboy, que é formado em administração de empresas e nunca havia sido preso.

"Conforme consta no boletim de ocorrência, o assaltante descrito pela vítima seria um homem negro de 1,80m, enquanto o sr. Maxsuel mede apenas 1,60m; ademais, o assaltante teria cometido o crime de capacete, de modo que seria no mínimo insuficiente o reconhecimento dado pela vítima", destaca trecho do ofício.

A deputada também pontuou que documentos já apresentados pela defesa indicam que Maxsuel Ribeiro estaria trabalhando no horário próximo ao que o assalto teria ocorrido. Ao R7, Andréia de Jesus avaliou que o investigado pode ter sido vítima de racismo estrutural.

— Essa prisão, de um jovem negro, trabalhador, com residência fixa, sem antecedentes criminais e que não poderia ter sido reconhecido como autor de um crime que não cometeu é mais uma prova do racismo estrutural de nosso país. É inadmissível esse brutal encarceramento de corpos negros mesmo quando não existe nenhuma prova de crime. É a barbárie.

Sobre o assunto, o TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) já havia alegado à reportagem que "mesmo diante da ausência de antecedentes criminais, dependendo dos elementos do caso e do seu conhecimento da lei, o magistrado pode determinar a manutenção da prisão", como foi feito.

"Por outro lado, a negativa da liberdade neste momento não exclui a possibilidade de a pessoa obter a soltura, seja por meio de habeas corpus no TJMG, seja por decisão do próprio juiz, a partir de novos fatos apresentados pela defesa e mesmo pelo Ministério Público", completou o órgão.

Prisão

Em entrevista à reportagem, a delegada Amanda Morais, plantonista responsável pela detenção de Ribeiro no dia 15 de julho, explicou que o reconhecimento feito pela vítima foi determinante para o pedido de prisão, mesmo diante da ficha limpa do suspeito.

— É atípico, mas não impede [a prisão de suspeito com bons antecedentes]. O que chamou atenção foi que a vítima foi muito convicta ao afirmar que foi este suspeito. Ele usava trajes parecidos com o indicado. Além disto, ele se contradisse em alguns momentos com a polícia.

A divergência de informações indicada no boletim de ocorrência aponta que Ribeiro disse aos policiais militares que faria uma viagem no dia seguinte à Bahia e, em seguida, disse que tinha trabalhos para fazer na cidade onde morava.

Tamires Ribeiro, prima do detido, garante que ele tinha um passeio marcado para o Estado vizinho e questiona a prisão.

— Pode ter sido um equívoco de interpretação. Nós temos prints de conversas com clientes que mostram que ele estava trabalhando na hora do assalto.

Os PMs acionados pela secretária de 40 anos que denunciou o roubo ocorrido por volta das 13h chegaram até o suspeito após identificar que a moto dele passou em local próximo ao do assalto, praticamente no mesmo horário. Segundo a vítima, os dois cordões levados custam R$ 40 mil. O material não foi encontrado com o preso.

Os agentes também chamaram a vítima de um outro roubo que aconteceu em circunstância parecida no último dia 6 de julho e ela também teria dito que foi vítima do mesmo motoboy.

Conforme mostrou o R7, parentes, vizinhos e clientes de Maxsuel Ribeiro fizeram um protesto contra a prisão dele em uma praça do bairro onde o administrador mora sozinho.

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