Condenada por estelionato, cantora gospel volta a ser alvo de denúncias de golpes financeiros em MG e RJ
Segundo advogado, mais de 100 novas vítimas relatam prejuízos enquanto a investigada estaria morando em Dubai
Minas Gerais|Giovana Riggio*, do R7, Núbia Roberto e Michelyne Kubitschek, da RECORD Minas
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A cantora gospel Izabela Cristy, de 32 anos, voltou ao centro de investigações após surgirem novas denúncias de supostos golpes financeiros semelhantes aos que resultaram em sua condenação por estelionato e esquema de pirâmide financeira em 2024. De acordo com um advogado que representa mais de 100 supostas vítimas, a investigada, que estaria morando em Dubai, teria continuado a captar investidores mesmo após a condenação judicial.
O caso, que ganhou repercussão inicialmente em 2022, voltou à tona após relatos de novas vítimas que afirmam ter sido convencidas a investir dinheiro sob a promessa de rendimentos de até 100% em curto prazo. Segundo as denúncias, o esquema seria conduzido por Izabela Cristy e pelo marido, Davi Barros.
Na condenação de 2024, a Justiça fixou pena superior a nove anos de prisão pelos crimes de estelionato e pirâmide financeira. Também determinou o pagamento de indenização por danos morais às vítimas e aplicou multa milionária. À época, mais de 300 pessoas foram identificadas como vítimas do esquema.
Segundo apuração da RECORD Minas, Izabela chegou a cumprir parte da pena em regime domiciliar, utilizando tornozeleira eletrônica, em razão de possuir filho menor de idade. Posteriormente, em 2025, ela teria obtido benefício judicial que alterou sua situação processual.
As novas denúncias apontam que o casal continuaria utilizando as redes sociais para atrair investidores. Nas plataformas digitais, Izabela se apresenta como empreendedora internacional e cantora gospel residente em Dubai, exibindo uma rotina de viagens e ostentação em destinos como Emirados Árabes Unidos e Maldivas.
De acordo com os relatos, as vítimas eram abordadas com a promessa de altos rendimentos em aplicações financeiras. Nos primeiros investimentos, alguns participantes recebiam os valores prometidos, o que aumentava a confiança e incentivava novas aplicações, muitas vezes de valores elevados. Há relatos de pessoas que teriam investido centenas de milhares de reais, inclusive após vender bens para participar do negócio.
O advogado que representa os denunciantes afirma que, além de brasileiros, há supostas vítimas em países como Suécia, Chile e Bolívia.
Outro ponto que chama a atenção das investigações é o fato de Izabela divulgar nas redes sociais que realiza uma turnê anual pelo Brasil para apresentações religiosas. Conforme publicações da própria cantora, ela esteve no país desde junho e encerraria sua agenda de shows nesta sexta-feira (3).
A Polícia Civil informou que pessoas que se considerem vítimas devem registrar ocorrência e formalizar representação junto à Delegacia Especializada em Investigação de Fraudes para que os novos fatos sejam apurados.
Também foi solicitado esclarecimento à Polícia Federal sobre como Izabela teria deixado o país e viajado ao exterior, uma vez que, segundo informações apresentadas na reportagem, seu passaporte teria sido bloqueado durante o andamento do processo. Até o momento, não há resposta oficial sobre essa questão.
Cantora nega acusações
Em declaração enviada à RECORD Minas, a cantora negou as acusações de que tenha feito novas vítimas. “Eu desconheço qualquer acusação de que eu aqui em Dubai fiz mais de 100 novas vítimas no Rio de Janeiro e Minas Gerais.
“Essas denúncias são inverídicas, tanto que o meu departamento jurídico já está preparando todo o documento para comprovação. Eu estou à disposição da Justiça, estou à disposição dos veículos de comunicação também”, completou.
*Estagiária sob supervisão de Isabella Guasti
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