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Cursinho ajuda travestis e transexuais a entrarem para a universidade

Voluntários buscam apoio para aulas do TransEnem em Belo Horizonte

Minas Gerais|Do R7, com Agência Brasil

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Aulas ajudam os alunos a transformar a realidade de exclusão educacional e preconceito
Aulas ajudam os alunos a transformar a realidade de exclusão educacional e preconceito

A dificuldade de inserção de travestis e transexuais no mercado de trabalho motivou um grupo de voluntários a organizar o TransEnem, um cursinho voltado exclusivamente para ajudar este público a conseguir a sonhada aprovação no vestibular. 

A ideia ganhou forma em Belo Horizonte em 2015, quando 12 alunos participaram das aulas, que ocorriam no escritório de uma das coordenadoras, e três conseguiram a vaga em faculdades. Um deles foi aprovado em filosofia na UFMG e hoje é monitor do cursinho. Outro passou na PUC e no Cefet e uma aluna entrou na segunda chamada da UFMG. 


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Em 2016, os organizadores conseguiram uma sala na Escola Pedro 2º, no bairro Funcionários, região centro-sul de BH, para as aulas do turno da noite. Os professores são voluntários que se organizaram pela internet, conta Adriana Ribeiro Alves do Valle, professora de Direito do Trabalho na PUC Minas e uma das coordenadoras do TransEnem. 

— Os professores são voluntários. Temos mestres, doutorandos, é muito bacana porque conseguimos as adesões a partir da divulgação na internet. Todos os alunos são transexuais e travestis. Alguns são recém-formados e outros já tinham saído da escola há mais tempo e viram a possibilidade de retomar os estudos. 


Doações ajudam o TransEnem a se manter. A ajuda vai para a compra de materiais e até auxílio transporte.

— Temos alunos fora do mercado de trabalho sem condições até de pagar a passagem,por isso a ajuda é importante. São pessoas que querem desenvolver outras atividades, mas não conseguem. Falta capacitação, porque elas não recebem incentivo da escola.


Quem puder pode ajudar o grupo pelo site https://www.vakinha.com.br/vaquinha/transenem.

Nome social

Libernina Andrade, de 20 anos, saiu de Almenara (MG), na divisa com a Bahia, para conseguir se assumir mulher em Belo Horizonte. Na cidade natal, ela vivia sem perspectivas devido ao preconceito e à relação complicada com a família. Hoje, após ter compreendido quem realmente é e recuperado a autoestima, sonha em se tornar engenheira ambiental ou engenheira química e vê no TransEnem BH um aliado.

— Serve para a nossa vida. Quando cheguei eu era muito medrosa para dar minha opinião, mas os professores nos estimularam a realmente lutar pelos nossos direitos. 

O diploma, segundo Libernina, pode ajudá-la a superar a discriminação no mercado de trabalho. Seu último emprego foi como atendente de telemarketing, quando ainda se vestia com roupas consideradas masculinas. Depois, já teve a contratação negada várias vezes.

— É complicado. Você faz as entrevistas e percebe que gostaram. Você tem as qualidades requisitadas. Aí quando apresenta seu documento com o nome masculino, pedem desculpa e falam que o meu perfil não era exatamente o que estavam buscando. É muito engraçado, para mim é um caso de transfobia. 

Em breve, ela pretende solicitar a impressão de uma carteira de identidade com seu nome social.

— É apenas um dos direitos que conquistamos, mas ainda falta muito. Temos as obrigações sociais, pagamos impostos como todos, então exigimos a garantia dos direitos básicos."

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