Logo R7.com
RecordPlus

Dona de casa com doença rara luta na Justiça por remédio de R$ 120 mil

Decisão que obrigava prefeitura a por medicamento mensalmente foi suspensa

Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7, em Belo Horizonte

  • Google News
Selma dos Santos sofre da febre familiar do mediterrâneo
Selma dos Santos sofre da febre familiar do mediterrâneo

Uma doença rara que aos poucos provoca a falência dos órgãos tem afetado uma dona de casa em Itajubá, no sul de Minas. A febre familiar do mediterrâneo é uma síndrome degenerativa que pode ter os efeitos controlados com um medicamento que custa 30 mil dólares por mês.

Em valores atualizados, o Rilonacepte custa R$ 1,4 milhão por ano. A alternativa seria o Calaquinumabe - 12 mil dólares a caixa, impossível de ser custeada pela dona de casa que vive com o marido servente de pedreiro. 


Selma Aparecida dos Santos Salviano, de 40 anos, conseguiu na Justiça há quatro meses o direito de receber o remédio, mas a prefeitura de Itajubá recorreu por falta de condições para pagar as doses. A liminar foi suspensa pelo Tribunal de Justiça e aguarda julgamento definitivo. 

Leia mais notícias de Minas Gerais no Portal R7


Experimente grátis: todos os programas da Record na íntegra no R7 Play

Enquanto isso, Selma relata como a febre familiar do mediterrâneo afeta sua vida. 


— Há quatro anos estou afastada. A doença começou a se manifestar quando caí e machuquei a perna. Ninguém conseguia descobrir, só com um exame de mutação genética. Enquanto espero esse remédio, meus órgãos estão parando. Pulmões, coração, rins, fígado. Sinto muita dor. Isso incha meus órgãos, não consigo respirar. 

Com a negativa da prefeitura, a advogada da dona de casa, Celina Maria Dias de Souza, tenta obter o medicamento no Estado. 


— O município alegou falta de condição financeira e o Tribunal suspendeu para analisar o caso. Entramos com uma ação contra o Estado, e ainda não houve decisão. A situação é desanimadora. 

Prefeitura sem dinheiro

O secretário de saúde de Itajubá, Ricardo Zambrana, informou ao R7 que a prefeitura não tem condições de empenhar um valor tão alto. 

— O setor jurídico recorreu porque não temos o recurso para comprar esse medicamento. 30 mil dólares por mês é um valor incompatível com o orçamento. 

Em entrevista a uma rádio da cidade, o prefeito Rodrigo Riêra explicou que não é atribuição da prefeitura o fornecimento do Rilonacepte 80 mg. 

— Dá R$ 1,4 milhão por ano. Medicamento de alta complexidade é com o Estado ou a União, o município não tem dinheiro. Isso representa 25% do orçamento útil para o ano todo, eu deixaria de atender 20 mil pessoas que utilizam a farmácia. A paciente precisa do medicamento, ninguém quer deixar de ajudar, mas a prefeitura não tem dinheiro.

À espera de uma solução, Selma tenta equilibrar a dor e a esperança. 

— Não tenho ninguém pra me ajudar, de esperar boa vontade a doença foi se agravado. Não sei mais o que fazer. 

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.