Duas testemunhas são ouvidas durante audiência sobre o caso Backer em Belo Horizonte
Outras seis testemunhas devem ser ouvidas nesta terça-feira (21), incluindo um gerente de RH da empresa
Minas Gerais|Gabriel Rodrigues, da Record TV Minas

Duas pessoas foram ouvidas nesta segunda-feira (20) durante audiência sobre o caso Backer no Fórum Lafayette, no Barro Preto, região centro-sul de Belo Horizonte. Serão dez dias de audiência, com o depoimento de 60 testemunhas de defesa indicadas pela empresa.
Nesta segunda-feira (20), as audiências foram encerradas por volta das 15h30 e somente duas das testemunhas programadas para esta segunda-feira foram ouvidas: um gerente operacional da empresa e um parente dos sócios da empresa. As outras quatro foram dispensadas pelos advogados que indicaram como testemunhas.
As investigações do caso completaram três anos no início desde ano. De maneira presencial ou por videoconferência, a expectativa é que sejam ouvidas seis pessoas por dia durante dez dias. Nesta terça-feira (21), as oitivas continuam com outras seis testemunhas. Entre elas é gerente de RH da Backer.
Enquanto as investigações acontecem, as vítimas do caso pedem justiça. Luciano de Barros é um dos 19 sobreviventes da ocorrência. Ele ficou seis meses internado e 28 dias em coma. "Tudo o que eu tinha antes, não tenho mais. Acabou o churrasco que a gente gostava de fazer, as peladas. Hoje eu fico vendo o pessoal jogar futebol e eu não consigo jogar", conta.
Leia também
O caso aconteceu no início de 2020, pouco depois da virada do ano. Vários consumidores da cerveja Belorizontina, da Backer, começaram a ser hospitalizados e 10 deles morreram. As garrafas foram recolhidas e periciadas e as amostras indicaram a presença de dietilenoglicol, contaminando as cervejas.
Várias vítimas sofreram com alterações neurológicas e renais, entre elas Luiz Felippe Ribeiro, que sofre com as sequelas até hoje, três anos depois. "É difícil ficar remoendo toda essa história depois de tudo o que a gente passou. Todas aquelas sequelas das quais eu enfrento no meu dia a dia, no meu trabalho, na minha vida pessoal, profissional", relata a vítima.
A fábrica da Backer, no bairro Olhos d'água, em Belo Horizonte, chegou a ser interditada em junho de 2020, após uma perícia da PCMG (Polícia Civil de Minas Gerais), em conjunto com o MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) , a SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais) e o Ministério da Agricultura. Os órgãos identificaram diversos vazamentos na tubulação que fazia o resfriamento da cerveja.
Já em 2022, em abril, a cervejaria foi autorizada a voltar a funcionar. Parte dos lucros da empresa deveriam ser depositados em um fundo criado para amparar as vítimas e prestar socorro no tratamento médico. As vítimas, no entanto, alegam que isso nunca aconteceu. "Foi feito um acordo para eles depositarem parte do lucro líquido, para eles voltarem a produzir, e, dessa produção, parte do lucro deveria ser depositado para a gente. Não foi depositado", conta Luciano de Barros.
O processo criminal, que apura a responsabilidade de 10 réus, estava parado desde maio de 2022. À época, foram ouvidas quatro vítimas e 23 testemunhas de acusação. Dez pessoas foram indiciadas e devem ser interrogadas em outro momento, sendo acusadas de lesão, homicídio culposo e contaminação de alimentos.
















