‘Ela gritava, me chamou de louca’, diz técnica de enfermagem ferida com agulha em hospital de BH
Suspeita foi presa em flagrante; a Fhemig lamentou o ocorrido e informou que está prestando toda a assistência à profissional
Minas Gerais|Lucas Eugênio, do R7, com Gisele Ramos, da RECORD MINAS
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A técnica de enfermagem atacada com uma agulha, na manhã desta segunda-feira (29), no Hospital João Paulo II, no Centro de Belo Horizonte, conta que ainda não assimilou o acontecido e que está insegura após a agressão. Araenes Dias, de 53 anos, foi medicada e afastada por sete dias para se recuperar. A suspeita, de 25 anos, foi presa em flagrante.
“Eu passei pelo psicólogo, vou continuar com as sessões. O médico me afastou por sete dias. Depois, eu vou ver se eu tenho condição mesmo de voltar, com segurança tanto para o paciente quanto para a minha saúde”, contou.
A agressão aconteceu durante um atendimento. Segundo a vítima, ela colhia amostras de sangue no filho da suspeita. A mulher teria se irritado com a forma como o exame era realizado, retirado a agulha do braço da criança e atacado a profissional de saúde.
“A mãe foi informada que eu ia precisar colocar uma agulha no braço para coletar e que as amostras de sangue seriam encaminhadas para o laboratório. Durante uma tentativa de punção venosa, ela retirou a agulha alegando que eu estava rodando o escalpe dentro da veia da criança. Após esse contato com a com a veia da criança, ela retirou a agulha e espetou a minha mão. Ela gritava, me chamava de incompetente, de louca e dizia que não era para eu colocar a mão no filho dela”, detalhou a vítima.
A Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais) lamentou o ocorrido e informou que está prestando toda a assistência à profissional, que foi acolhida e orientada na coordenação de Saúde e Segurança do Trabalhador.
“A servidora foi atendida conforme protocolo institucional. A Fhemig repudia qualquer forma de violência contra seus servidores. Reforçamos nosso compromisso e respeito aos profissionais da saúde, que diariamente se dedicam ao cuidado da população mineira”, esclareceu a Fhemig.
A suspeita foi levada para a delegacia, onde prestou depoimento. Segundo a Polícia Civil, o delegado ratificou a prisão e a mulher está à disposição da Justiça.
Violência em unidades de saúde
A técnica de enfermagem contou que já foi vítima de violências em outros atendimentos durante os 29 anos que trabalha na área. “Às vezes agressão verbal, mas eu me senti agredida fisicamente mesmo. Dessa vez foi a pior de todas”, relatou.
O caso reacendeu o alerta sobre a violência sofrida por profissionais de enfermagem em Minas Gerais. Um levantamento do Coren-MG (Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais) mostra que 95% da categoria já foi vítima de algum tipo de agressão no ambiente de trabalho. Do total, 45% relataram assédio moral, 40% violência psicológica, 9% violência física, 3% violência sexual e 2% injúria racial.
Os dados foram divulgados durante audiência pública realizada na ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais) no dia 17 de setembro deste ano, que debateu a violência ocupacional contra profissionais de saúde.
No mesmo dia, o deputado estadual Lucas Lasmar (Rede) apresentou números que apontam uma escalada de ocorrências em unidades de saúde do estado: foram 980 casos em 2025, contra 972 em 2024 e 684 em 2023.
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